Saturday, January 21, 2017

Este blog é editado pelo jornalista, advogado, professor e escritor Augusto Dias, ocupante da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.    augudias@gmail.com

                                                         
                                                                       



I) COTIDIANO

       SEM DIGNIDADE

       Num antigo desenho animado dos Estúdios Disney, o personagem Pateta, pessoa pacata, simplória e generosa, se transformava num agressivo, impaciente e intolerante motorista quando estava ao volante do seu carro.
As nossas ruas têm um prevalente número de proprietários sem escritura passada em cartório, tal a ousadia, impaciência e imprudência com que dirigem, num descaso para com a vida humana, como se a via pública fosse de sua propriedade.
As leis de trânsito são somente referências irrelevantes.
Ao assumir o volante de um veículo, seu motorista, genericamente, assume que tem um poder e o exerce à sua maneira.
O ser humano não sabe lidar com o poder, qualquer que seja ele, presuntivo que seja. Atrás do volante de um carro, mesmo velho e de tecnologia ultrapassada, ele se transforma do simplório cidadão trabalhador, no impaciente e agressivo dono das ruas.
Quando no início da década de 1.950 o prefeito Elmano Ferreira Veloso implantou os primeiros sinais de trânsito no centro, a pequena cidade viu a novidade mais como um avanço em direção à modernidade do que uma necessidade imperiosa.
Hoje, com o crescente aumento do número de veículos e com uma população formada, majoritariamente, por gente de outros rincões do país, sem raízes com a cidade e sem história, vige a impessoalidade e a indiferença das cidades sem rosto, sem alma, sem vínculos e sem obrigações para com o meio social em que vivem.
Atravessar a faixa de pedestres tem que ser um exercício de prudência. As proteções do Código de Trânsito pouco valem frente à falta de respeito e a injustificada pressa.
Quanto às gentilezas, pouco há que se falar. Mulheres com crianças ou idosos, desprotegidos, acelerando o passo, correndo sem dignidade, assustados e receosos da aproximação de nervosos veículos, esses personagens fora da lei do bom senso e do mais básico respeito humano.
Ocupar o espaço público, chegar primeiro, fazer para si sem se importar com os outros, a não ser os seus, é a tônica do homem cordial descrito por Sérgio Buarque de Hollanda em RAÍZES DO BRASIL, publicado em 1.936.
O homem cordial  não é o que é gentil e fraterno, mas sim aquele que quer as vantagens para si e para os seus. Com qualquer poder que tenha ou presuma que tenha, avança sobre o respeito e os direitos humanos. Apossa-se do bem público como direito seu fosse.
Nossa raiz genética pouco se alterou desde então.
Além disso, o planejamento do trânsito em nossa cidade ainda é de natureza absolutamente técnica: planeja para o veículo e sua malha viária, não tendo, portanto, uma abordagem de natureza humanística em primeiro lugar. Essa última é ajeitada mais tarde.
Enquanto isso, o cidadão-pedestre continuará a ocupar seu lugar nas vias públicas, sem dignidade!


II) CRÔNICAS E CONTOS

      LÍDERES
        
Pulverizam-se as sociedades. Rareiam os líderes liberais e democráticos. Tornam-se quase todos impotentes anônimos, vivendo em microcosmos, enquanto o mundo de 7 bilhões de seres vê, lentamente, diluir sua esperança, sua fé e seus mais elementares valores em meio a conflitos, guerras étnicas e variadas manifestações de violência.
Do filósofo grego Diógenes de Sinope (404 a.C. - 323 a.C.) de quem se diz que teria vivido em um grande barril no lugar de uma casa, perambulando pelas ruas e carregando uma lamparina durante o dia, enquanto procurava um homem honesto, pode-se plagiar, mas muitas lamparinas seriam necessárias para encontrar líderes inspiradores, idealistas, magnânimos, realizadores, justos e com vocação para a palavra conciliadora. 
Seria quase uma utopia!


III) HISTÓRIA

        O C.T.A.

O tenente-coronel Casimiro Montenegro Filho recebeu do Ministério da Aeronáutica a tarefa de construção do que seria no futuro o Centro Técnico de Aeronáutica (hoje, Departamento do Centro Técnico Aeroespacial). 
Após viagens aos Estados Unidos ele levou o PLANO GERAL DE CRIAÇÃO DO C.T.A. ao presidente interino do Brasil, José Linhares, que o aprovou em 16/11/1.945.
A Comissão Organizadora do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA) viria a implantar, copiando um modelo americano, "uma grande unidade de operação tipicamente militar, exclusiva da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos da América, de caráter técnico normativo, de ensaios e de controle de produtos e material fornecido à Força Aérea."
O modelo do C.T.A. foi inspirado na base militar americana de Wright Field, em Dayton, Ohio, EUA e a escola de engenharia (I.T.A.) teve como modelo o Massachusetts Institute of Technology (M.I.T.), Boston.
Os trabalhos de implantação foram iniciados em 1.947 e a pequena cidade de São José dos Campos, ainda sanatorial, começaria a mudar para sempre!

                                                  

Em 1.947, quando do início das obras do C.T.A., São José dos Campos era uma cidade Sanatorial. Foto - Sanatório Ruy Doria - esquina da Rua Vilaça com Rua Francisco Paes

IV) PENSAMENTO

                                
   
O maior desejo do ser humano é o de viver para sempre, de ser eterno, como as montanhas, o sol, a lua e as estrelas. O maior desejo do ser humano é a maior das suas ilusões.