Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
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I) COTIDIANO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 250 ANOS - 27/7/2017
LOCAL DE FUNDAÇÃO
São José dos Campos nasceu onde é hoje a Praça da Matriz (Praça Cônego João Guimarães). "Foi primeiro autor desta obra o Irmão Manuel Leão, o qual querendo eternizar esta nova residência fabricou aos índios casas de taipa de pilão, começando a ordená-la em modo de quadra, que já hoje se vê fechada, ainda que com obra menos durável, por não ter a pouca ambição destes homens para maiores edifícios." - Vida do Padre Belchior de Pontes, da Companhia de Jesus - Lisboa - 1751.
A CRIAÇÃO DA VILA
Em 22 de dezembro de 1.766, com o objetivo de agregar os índios e organizar sua administração, fortalecer o domínio português e cobrar impostos, o Governador Geral da Capitania de São Paulo, Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão - Morgado de Mateus, oficiou à Corte Portuguesa propondo a elevação a Vila, da Aldeia de São José dos Parahyba, que pela demografia de 1.766, contava com 94 fogos (casas), 205 mulheres e 159 homens.
No dia 27 de julho de 1.767, foi levantado o pelourinho, símbolo de autoridade e justiça. Houve aclamações a Sua Majestade, o Rei de Portugal e salva de tiros de mosquetes pelos soldados. Celebrou-se um solene Te Deum. Para administrar a Vila, foram eleitos 2 juízes, 3 vereadores e um procurador.
1.817 - São José dos Campos em desenho da passagem de Thomas Ender por São José dos Campos - Local onde é a Praça da matriz. Arquivo Público do Município.
A CIDADE SANATORIAL
Em 1.900 a população do município era de 22.816 habitantes e a cidade já era procurada por tuberculosos por causa dos seus "ares generosos," ciclo que se encerrou nos anos 1.960.
Foi um período histórico onde predominaram a tuberculose com os seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.
Anos 1930/1940 - O icônico Sanatório Vicentina Aranha, hoje de propriedade do Município, foi inaugurado no dia 27 de abril d 1.924, com a presença do então Presidente (Governador) do Estado, Dr. Washington Luiz Pereira de Souza. Na parte baixa da foto, está a Avenida Nove de Julho. Nota-se o pouco número de residencias à sua volta, num tempo em que o centro da cidade era muito longe e sua população era de 30.681 habitantes. Arquivo Público do Município.
Anos 1940 - O Sanatório Ruy Dória ficava na esquina da Rua Vilaça com a Rua Francisco Paes e era um dos mais bem equipados. Pertencia do Doutor Ruy Rodrigues Dória que, além do seu ofício de médico, teve importante atuação na vida social e política de São José dos Campos. Como tantos outros, havia vindo para a cidade para tratar sua tuberculose. Arquivo do Município.
A NOVA VOCAÇÃO
O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje, D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu." São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.
Até os anos 1.960, tempos do ciclo sanatorial, São José dos Campos era uma cidade plana. Centro da cidade com banhado à direita. Arquivo Público do Município.
Anos 1.960 - Apesar do crescimento populacional nos anos 1950/1960 (5,56%) e 1960/1970 (6,77), São José ainda era uma cidade horizontal, com pequenas alterações em sua área central. - Arquivo Público do Município.
São José dos Campos, anteriormente a 1.970, além do crescimento experimentado e da mudança da sua vocação, deixando de ser sanatorial (primeira metade dos anos 60) e passando a ser cidade industrial, tinha total liberdade para escolher seus governantes, direito esse adquirido em 14/1/1958, quando deixou de ser Estância Climatérica e Hidromineral.
Mas, com o país vivendo sob a égide do governo militar que se iniciara em 1.964, pelo Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969, a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional e o Governador do Estado, Abreu Sodré, nomeou prefeito-interventor o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que, portanto, não concluiria o seu mandato.
UMA NOVA CONCEPÇÃO ADMINISTRATIVA
Com mentalidade empresarial, o novo prefeito buscou alargar as fronteiras comerciais e sociais, ampliando os horizontes da cidade em crescimento, mas ainda com costumes provincianos, para projetá-la como um futuro centro cosmopolita.
Manteve as leis de incentivo fiscal, atraiu indústrias transnacionais e nacionais, trouxe recursos e investidores do exterior, importando técnicas, processos e produtos.
Foi planejado o Anel Viário, projeto imaginado, mas não viabilizado por prefeitos anteriores como Benoit de Almeida Vitoretti (1.951/1.954), dentro da concepção da sua época. Foi construído o Calçadão, uma revolução no comércio, assim como a descentralização do centro comercial para a Vila AdyAna, sob os veementes protestos dos comerciantes que a achavam longe demais.
Além de outras medidas estimulou a verticalização, provocando um boom imobiliário com a construção de prédios de apartamentos e conjuntos habitacionais e modificando de forma vigorosa a ainda modesta paisagem urbana horizontal.
Final dos anos 1.970 - O Anel Viário é uma das mais formidáveis obras públicas de todos os tempos. Foi planejado e iniciado à partir da administração do prefeito Sérgio Sobral de Oliveira e continuado pelos prefeitos que o sucederam. Na foto, no trecho da Avenida Jorge Zarur, ao fundo, no alto, à esquerda está hoje o Condomínio Colinas e ainda ao fundo, no centro da foto, onde há vegetação alta, está o Shopping Colinas. À frente deles está a continuidade da Avenida São João com a Avenida Cassiano Ricardo.
CRESCIMENTO
Na década 1.970/1.980 o crescimento populacional foi de 6,82%, percentual que viria a cair para 3,99% na década 1.980/1.990 e para 2,61% na década 1.991/2000.
São José dos Campos deu um salto para o futuro, lastreado em sólidas políticas públicas desde o princípio dos anos 1.920, à partir dos anos 1.970.
MODUS VIVENDI
Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começariam a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costume da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas, onde o individualismo e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome.
Um preço a, inevitavelmente, se pagar pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem rosto," sem "alma,"
Multifacetada e multicultural, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.
O HOJE COM OS OLHOS NO AMANHÃ
Por mérito próprio das suas administrações e da sua gente, por circunstâncias e - principalmente - pela combinação desses fatores todos, São José dos Campos soube crescer desde o início do século XVII, mas - principalmente - pela coragem de inovar nos anos 1.920 e pela abrangente visão de futuro à partir de 1.970.
Que se possa enxergar o hoje e construí-lo com os olhos no amanhã!
São José dos Campos no final da década de 1970 já era uma cidade vertical











