Saturday, July 22, 2017



                                                     

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
augudias@gmail.com


I) COTIDIANO

     SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 250 ANOS - 27/7/2017


LOCAL DE FUNDAÇÃO

São José dos Campos nasceu onde é hoje a Praça da Matriz (Praça Cônego João Guimarães). "Foi primeiro autor desta obra o Irmão Manuel Leão, o qual querendo eternizar esta nova residência fabricou aos índios casas de taipa de pilão, começando a ordená-la em modo de quadra, que já hoje se vê fechada, ainda que com obra menos durável, por não ter a pouca ambição destes homens para maiores edifícios." - Vida do Padre Belchior de Pontes, da Companhia de Jesus - Lisboa - 1751.


A CRIAÇÃO DA VILA

Em 22 de dezembro de 1.766, com o objetivo de agregar os índios e organizar sua administração, fortalecer o domínio português e cobrar impostos, o Governador Geral da Capitania de São Paulo, Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão - Morgado de Mateus, oficiou à Corte Portuguesa propondo a elevação a Vila, da Aldeia de São José dos Parahyba, que pela demografia de 1.766, contava com 94 fogos (casas), 205 mulheres e 159 homens.
No dia 27 de julho de 1.767, foi levantado o pelourinho, símbolo de autoridade e justiça. Houve aclamações  a Sua Majestade, o Rei de Portugal e salva de tiros de mosquetes pelos soldados. Celebrou-se um solene Te Deum. Para administrar a Vila, foram eleitos 2 juízes, 3 vereadores e um procurador.


                                                   

1.817 - São José dos Campos em desenho da passagem de Thomas Ender por São José dos Campos - Local onde é a Praça da matriz. Arquivo Público do Município.


A CIDADE SANATORIAL

Em 1.900 a população do município era de 22.816 habitantes e a cidade já era procurada por tuberculosos por causa dos seus "ares generosos," ciclo que se encerrou nos anos 1.960. 
Foi um período histórico onde predominaram a tuberculose com os seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.

                                                     


Anos 1930/1940 - O icônico Sanatório Vicentina Aranha, hoje de propriedade do Município, foi inaugurado no dia 27 de abril d 1.924, com a presença do então Presidente (Governador) do Estado, Dr. Washington Luiz Pereira de Souza. Na parte baixa da foto, está a Avenida Nove de Julho. Nota-se o pouco número de residencias à sua volta, num tempo em que o centro da cidade era muito longe e sua população era de 30.681 habitantes. Arquivo Público do Município.

                                           
                                                              
                                                  

Anos 1940 - O Sanatório Ruy Dória ficava na esquina da Rua Vilaça com a Rua Francisco Paes e era um dos mais bem equipados. Pertencia do Doutor Ruy Rodrigues Dória que, além do seu ofício de médico, teve importante atuação na vida social e política de São José dos Campos. Como tantos outros, havia vindo para a cidade para tratar sua tuberculose. Arquivo do Município.


A NOVA VOCAÇÃO

O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje, D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu." São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.

                                                       

Até os anos 1.960, tempos do ciclo sanatorial, São José dos Campos era uma cidade plana. Centro da cidade com banhado à direita. Arquivo Público do Município.



Anos 1.960 - Apesar do crescimento populacional nos anos 1950/1960 (5,56%) e 1960/1970 (6,77), São José ainda era uma cidade horizontal, com pequenas alterações em sua área central. - Arquivo Público do Município.

                                        
São José dos Campos, anteriormente a 1.970, além do crescimento experimentado e da mudança da sua vocação, deixando de ser sanatorial (primeira metade dos anos 60) e passando a ser cidade industrial, tinha total liberdade para escolher seus governantes, direito esse adquirido em 14/1/1958, quando deixou de ser Estância Climatérica e Hidromineral.
Mas, com o país vivendo sob a égide do governo militar que se iniciara em 1.964, pelo Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969, a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional e o Governador do Estado, Abreu Sodré, nomeou prefeito-interventor o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que, portanto, não concluiria o seu mandato.


UMA NOVA CONCEPÇÃO ADMINISTRATIVA

Com mentalidade empresarial, o novo prefeito buscou alargar as fronteiras comerciais e sociais, ampliando os horizontes da cidade em crescimento, mas ainda com costumes provincianos, para projetá-la como um futuro centro cosmopolita.
Manteve as leis de incentivo fiscal, atraiu indústrias transnacionais e nacionais, trouxe recursos e investidores do exterior, importando técnicas, processos e produtos.
Foi planejado o Anel Viário, projeto imaginado, mas não viabilizado por prefeitos anteriores como Benoit de Almeida Vitoretti (1.951/1.954), dentro da concepção da sua época. Foi construído o Calçadão, uma revolução no comércio, assim como a descentralização do centro comercial para a Vila AdyAna, sob os veementes protestos dos comerciantes que a achavam longe demais.
Além de outras medidas estimulou a verticalização, provocando um boom imobiliário com a construção de prédios de apartamentos e conjuntos habitacionais e modificando de forma vigorosa a ainda modesta paisagem urbana horizontal.

                                                     
                                           

Final dos anos 1.970 - O Anel Viário é uma das mais formidáveis obras públicas de todos os tempos. Foi planejado e iniciado à partir da administração do prefeito Sérgio Sobral de Oliveira e continuado pelos prefeitos que o sucederam. Na foto, no trecho da Avenida Jorge Zarur, ao fundo, no alto, à esquerda está hoje o Condomínio Colinas e ainda ao fundo, no centro da foto, onde há vegetação alta, está o Shopping Colinas. À frente deles está a continuidade da Avenida São João com a Avenida Cassiano Ricardo.


CRESCIMENTO

Na década 1.970/1.980 o crescimento populacional foi de 6,82%, percentual que viria a cair para 3,99% na década 1.980/1.990 e para 2,61% na década 1.991/2000.
São José dos Campos deu um salto para o futuro, lastreado em sólidas políticas públicas desde o princípio dos anos 1.920, à partir dos anos 1.970.


MODUS VIVENDI

Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começariam a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costume da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas, onde o individualismo e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo"  as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome.
Um preço a, inevitavelmente, se pagar pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem rosto," sem "alma,"
Multifacetada e multicultural, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.


O HOJE COM OS OLHOS NO AMANHÃ

Por mérito próprio das suas administrações e da sua gente, por circunstâncias e - principalmente - pela combinação desses fatores todos, São José dos Campos soube crescer desde o início do século XVII, mas - principalmente - pela coragem de inovar nos anos 1.920 e pela abrangente visão de futuro à partir de 1.970.
Que se possa enxergar o hoje e construí-lo com os olhos no amanhã!

                                     
                 São José dos Campos no final da década de 1970 já era uma cidade vertical
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Monday, July 10, 2017

 

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.



I) COTIDIANO

    O REPARTIR DE UMA LIDERANÇA

                                     

Dentre as nações do mundo, uma emergiu como grande liderança ao término da II Guerra Mundial (1939-1945): os Estados Unidos da América. A partir de então, sua cultura se espalhou pelo mundo ocidental e eles se tornaram os defensores dos direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade, direitos inalienáveis de todos americanos, nos termos da Declaração da Independência redigida, principalmente, por Thomas Jefferson.
Atualmente, o conservadorismo parece ter se assomado com grande força por meio do seu presidente, um homem de negócios sem experiência política e parecendo não ter compreensão da importância do seu país no equilíbrio das forças mundiais.
O conservadorismo e a forma teatralizada e espontânea com que ele se expressa e a rejeição ao modelo de político tradicional cativou os colégios eleitorais e muitos da população que votam quando querem.
A postura do novo presidente americano contrasta com a dos grandes presidentes do passado, cujos nomes e feitos se encontram nos livros de história do mundo ocidental.
Não mais liderança respeitada como a do presidente anterior, abre espaço para outros líderes de nações que tratam a coisa pública de maneira mais sóbria e coerente.
O atual presidente conquistou o americano "comum," aquele que fala e age como ele, sem as devidas ponderações e respeito pelo próximo, como se estivesse numa rodada íntima de cerveja num lugar público, assistindo à um jogo, num linguajar nada acadêmico.
Entretanto, parece, que os formidáveis valores que fizeram da América uma grande nação, são capazes de passar por essa turbulência de maneira incólume, embora com algumas cicatrizes, tal a resiliência dos valores democráticos americanos!


II) COMENTÁRIO

     SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E UMA VISÃO DE FUTURO

                                
A Rua 7 de Setembro - que já foi chamada de Rua do Fogo - e onde na década de 1970 foi instalado o Calçadão, tinha essa "cara" quando dois ex-prefeitos "abriram nossos portos" para a instalação do agora Departamento do Centro Técnico Aeroespacial, àquele tempo, COCTA - Comissão Organizadora de Centro Técnico de Aeronáutica.  Ao fundo, a Praça João Mendes (Jardim do Sapo) - foto: Arquivo Público do Município -FCCR.

Escolhida pelo Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, para abrigar o C.T.A., os trabalhos de levantamento topográficos foram iniciados em 1.947.
Mas, a doação da área de nove milhões, duzentos e oitenta mil metros quadrados das terras devolutas do Campos dos Alemães aconteceu, legalmente, somente em 16/11/1.951.

Entretanto, a boa vontade política da administração pública do município se iniciou com o ofício nº 44/0285 de 26/4/1.944, do prefeito-sanitário Pedro Popini Mascarenhas:

"Confirmando as informações que tive o prazer de prestar, verbalmente, aos dignos oficiais desse serviço, que estiveram inspecionando o campo de aviação local, para verificar a possibilidade de nele ser instalado esse serviço, tenho a honra de solicitar a V Sa. a fineza de fazer sentir o Exmo. Ministro da Aeronáutica que esta Prefeitura fará doação, ao domínio da União, dos terrenos escolhidos pelos referidos oficiais. Deseja esta Prefeitura colaborar no máximo de suas forças para a realização desse grande empreendimento ligado à defesa nacional e, com esse objetivo é que se anima a fazer a presente oferta à gloriosa Aeronáutica do Brasil." - Pedro Popini Mascarenhas - Prefeito Sanitário.

Pelo ofício nº 88/0503/47 de 01/07/1.947 dirigido ao Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, Chefe da Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica, o Prefeito Sanitário Jorge Zarur reitera a proposta de doação da área:

"Tenho a honra de comunicar a V Exa. que esta Prefeitura põe à disposição do Ministério da Aeronáutica, os terrenos de sua propriedade, abrangidos nos planos do Centro Técnico de Aeronáutica, os quais serão doados para esse fim ao Governo Federal, podendo, assim, ser dado início às respectivas obras." - Jorge Zarur - Prefeito Sanitário.

O empreendimento contou também com o apoio do Interventor Federal em São Paulo, Fernando Costa, que pelo Decreto nº 18-125/45 de 18/5/1.948 declarou de utilidade pública e veio a custear desapropriações que chegaram a três milhões, duzentos e trinta e três mil, setecentos e trinta e sete metros quadro de terra.


III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

   COMO MONALISA ou A MULHER REFLETINDO SOBRE SUA FOTO

Na última foto pode estar meu último "eu," um dos meus muitos "eus."
Por que eu sou esta da última foto e não a da primeira ou das centenas tremidas, inesperadas, profissionais, amadoras, escuras ou avermelhadas dos anos passados?
Por que eu não sou mais aquela da foto de 30, 20, 15 anos ou tantas décadas atrás?
Onde estará o bebê que fui, chorou, mamou, sorriu, engatinhou e andou trôpego e que ninguém conhece ou reconhece?
Então, todo aquele tempo nada fui, a não ser um bebê, um adolescente, uma jovem adulta, uma mãe emocionada em rostos mutantes?
Por que ninguém me conhece como fui, mas somente como estou?
Por que quase ninguém soube de mim até então?
Eu brinquei, cresci e um pouco me descobri. Mas, da vida lá fora e da intrincada complexidade do ser humano, nada soube na mesma velocidade.
Tive muitos rostos, corpos, mas somente os últimos me ligam a meu nome, como se congelado na memória de registros midiáticos e nos olhares noviços dos que há pouco vieram a habitar o mesmo universo e me olham curiosos, como a perguntar ou ignorar quem sou.
Sem feitos e nem fama, a honra de ser verbete de dicionário não haverei de ter.
A última foto deverá estar amarelecida e embaçada pelo tempo, em companhia de outras tantas.
Meu nome nem para a lápide irá, pois, cinzas, antes do pó, haverei de me tornar e ao vento e às águas do rio me dissiparei em insignificantes e invisíveis partículas.
Enquanto isso, a navegar nas águas e a voar aos ventos dos felizes eu estarei, até que a derradeira foto seja tirada!


IV) PENSAMENTO

                                     


Por que somos finitos? Por que essa finitude que nos contraria a vontade? Por que não uma eterna permanência que nos permita a correção dos desacertos, o aprimoramento das virtudes e o gozo de uma vida plena de realizações e de elevado espírito? Por que não?