Saturday, March 25, 2017



             
                  
     
Este blog é editado pelo jornalista, advogado, professor e escritor Augusto Dias.
augudias@gmail.com


I) COTIDIANO

     OS BANCOS DE ONTEM E OS DE HOJE

Havia um tempo em que se ia ao banco para se sacar dinheiro ou, simplesmente, para se verificar o saldo. O cliente tinha que ir até a agência para qualquer coisa. 
Era um tempo em que não havia acontecido ainda a revolução digital: não havia computadores - o primeiro foi o Uniac, de 1946 e logo depois, em 1951, surgiu o Univak I. Eles ocupavam uma enorme sala na Universidade da Pensilvânia e quase levaram a firma dos seus criadores à falência. O microprocessador Intel surgiria em 1971 e iria revolucionar o computador e o mundo.
O computador viria a ser acessível a todos, caber na palma da mão e falar com o mundo. Instantaneamente, "todo mundo" ficaria sabendo de tudo e teria opinião sobre tudo, com razoabilidade ou não.
Então, ia-se ao banco até para se verificar o saldo. Não havia filas. Havia amontoados de pessoas impacientes próximas ao balcão e tentando chegar ao atendente. Quem "empurrasse" melhor, ganhava a vez.
O saldo, tirado de armários lotados de fichas entortadas nas pontas devido ao manuseio, era passado para um pedaço de papel improvisado.
Não havia senha, portanto. Demora havia, ontem e hoje, só que agora de maneira mais organizada.
A internet revolucionou processos e costumes bancários, também.
O gerente era inacessível para o comum do povo. Era um "rei" sem descendência e coroa, mas com o poder de dizer sim ou não para um pedido de empréstimo. Era respeitado e seu nome era sabido no seio da sociedade. Era recebido com deferência em clubes e entidades.
Hoje, há muitos gerentes, todos "sem nome." Os empréstimos são preexistentes, via de regra, dependendo de o cliente desejá-lo ou não e de acordo com seu cadastro.
Hoje, o gerente não diz nem sim, nem não. Quem fala é o sistema financeiro aliado a sofisticados programas de computador.
Ontem ia-se falar com O gerente. Hoje fala-se com UM gerente.
Os bancos hoje, como muitos outros agentes públicos e privados, são impessoais. 
Antigamente eles eram todos de aparência cinzenta e sisuda. Hoje, são, alegremente, vermelhos, azuis ou amarelos, o que não lhes rouba o aspecto vetusto.
Num futuro muito próximo, não iremos mais aos bancos ou caixas eletrônicos para nada. Pode ser considerado um avanço. Faremos tudo de casa, distantes e impessoais, embora prático.
Contas e números. Seremos contas e números sem rosto. Bancos não pedem fotos. Ele não precisam saber quem somos, mas o que temos.
Seremos, cada vez mais, uma sociedade onde todos se relacionam por máquinas, mas que se desconhecem.
Seremos somente negócios, seremos somente interesses.
Seremos como um arquipélago: ilhas próximas uma das outras, de geografia parecida, mas sem se tocar, sem se conhecer e sem ternura!



II) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

      O CONTROLE DO TEMPO

O tempo não nos pertence. Se pudéssemos retê-lo, o faríamos num momento de felicidade, saciando os sentidos e a alma e jamais teríamos que recorrer ao recôndito do olvidado baú de embaçadas memórias para nos alimentarmos de lembranças.
Se pudéssemos controlar o tempo, as alegrias e as emoções seriam imorredouras em todos os seus matizes e as tristezas e os aborrecimentos se desvaneceriam à velocidade da luz.
Se pudéssemos controlar o tempo, as novidades e os amores durariam todo seu tempo terreno, toda sua eternidade, não havendo tempo para a desesperança, o enfado, a mágoa e o inútil ódio.
Se o tempo nos pertencesse, então, poderíamos viver no eterno encantamento de um paraíso terrestre!



III) TÚNEL DO TEMPO 

                               


           007 - SEAN CONNERY - O 1º JAMES BOND

O ator Sean Connery, o 1º James Bond, aos 86 anos de idade, vive com sua esposa em Nassau, nas Bahamas. Está aposentado.

                                                 

Seu primeiro filme como 007 foi o icônico O Satânico Dr. No, lançado em 1962. O filme também foi marcante pela cena em que a atriz Ursula Andress sai do mar vestindo um pequeno - para aquele tempo - biquíni.

                                                                       

Sean Connery compareceu, recentemente, a uma partida de tênis, esporte que aprecia.

Sean Connery foi 007 de 1962 a 1983. No ano de 2000 ele recebeu da Rainha Elizabeth II da Grã Bretanha o título de sir.
O tempo passa, o homem passa, mas fica sua obra!


IV) PENSAMENTO

                                    

O poder do espírito serve os otimistas, religiosos, esperançosos e filósofos, enquanto, na sua avidez, o transcendente poder do dinheiro seduz homens e fragiliza princípios.

Sunday, March 5, 2017


Este blog é editado pelo escritor, jornalista, advogado e professor Augusto Dias, ocupante da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.       augudias@gmail.com

                                           


I) COTIDIANO

    A MUDEZ NA FALA

Havia um tempo em que as cadeiras eram colocadas nas calçadas, as famílias "jogavam conversa fora," as crianças brincavam na rua quando a televisão ainda não era "o membro mais falante" da família.
Ter um telefone era um sonho caro e não muito fácil de se conseguir devido à exiguidade da rede telefônica. Quando ele se tornou mais acessível, se transformou no sonho real dos jovens que "ficavam horas" conversando com amigos e namorados para desespero dos pais, que pagavam as contas.
Hoje o telefone fixo é recebido com reservas pelos consumidores em pacotes de provedoras de internet.
O celular, em suas variações, é a "voz" que não se ouve e transformou a comunicação num ágil e eficaz escrever de textos, com alquebrado rigor gramatical.
A emoção da voz foi substituída pelos textos num comunicativo mutismo.
Haverá um futuro em que pouco leremos, pouco nos falaremos, pouco nos veremos, pouco nos amaremos, pouco nos importaremos, distantes de cada um que estaremos, como no premonitório A Máquina do tempo de H.H. Wells.
Assim caminha a humanidade, no ágil e inexorável avanço das ciências e das tecnologias e no vagar do desenvolvimento das relações humanas.


II) CRÔNICAS, CONTOS E DEMAIS

      SOLILÓQUIO

Seu solipcismo é o abrigo de si mesmo,
sua polis,
sua fortaleza e sua fraqueza.
Vive em monólogo perpétuo
no negrume das fugidias relações humanas.
Eremita sem causa, 
no ostracismo,
sepulto em vida,
sem fortunas, sem honrarias.
Náusea,
como Antonio Roquentin, de Sartre,
sozinho,
sem amigos,
sem amor, nada lhe importando, 
nem ele mesmo.
Monólogo da desesperança.
Lá fora,
o sol,
a esperança, 
o amor e a vida que não cessam.
Ele, no entanto, no débil abrigo de si mesmo!



III) HISTÓRIA

       1958

                          


Décadas de 1950/1960 - Rua XV de Novembro, a principal avenida da pequena São José dos Campos.

Em 1.958 o coração de São José dos Campos era a Rua XV de Novembro, a mais importante avenida da sua malha viária, uma das poucas vias asfaltadas e onde tudo acontecia.
Nela e nas praças e ruas do seu entorno ficavam a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal, os clubes, os melhores restaurantes, as escolas, a única banca de jornais, o mercado municipal, o hospital, os consultórios médicos e de dentistas, os bancos e os restaurantes.
Mas, o grande momento da coração da cidade, da Rua XV de Novembro, era o footing entre a rua Rubião Júnior e o Largo da Matriz, num espaço de 3 quarteirões, que acontecia aos sábados e domingos à noite, logo após a sessão de cinema no Cine Paratodos, num cadenciado subir e descer a avenida. 
Era o ponto de encontro de amigos e namorados antes de ir para casa.
Hoje, durante o dia, a Rua XV de Novembro é um agito com trânsito, bancos e comércio popular.
À noite, é escura e quase desértica!


IV) TÚNEL DO TEMPO
                               
                               

                                
        OLIVIA DE HAVILLAND
                      

Olivia de Havilland, no papel de Melanie em "O Vento Levou," filme de 1.939, um dos 10 melhores de todos os tempos.

Ganhadora de 2 prêmios Oscar, Olivia de Havilland tem 101 anos de idade e é a única artista do elenco daquele filme que ainda vive.
Ela mantém uma vida ativa em Paris, onde mora há muitos anos.

                                         

                                                

                                                 Olivia de Havilland em evento recente.

O tempo, na inevitabilidade da decrepidez do corpo, não abate o melhor o melhor do ser humano que é o vigor mental e a férrea vontade de ser no mundo, em vez de estar no mundo.


V) PENSAMENTO

                           


Para o comum das pessoas, não interessa quem você é, mas sim o que você representa.