Saturday, August 26, 2017


                                                       

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.  augudias@gmail.com


I) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Em 1977, com a Lei nº 1.402 de 5 de outubro permitindo eleições livres para prefeito, São José dos Campos encerrou uma fase fortemente distintiva da sua existência.
São José dos Campos deixava, definitivamente, de ser uma estância climatérica e uma conveniente estância hidromineral, o que não havia deixado de lhe trazer inúmeros benefícios, principalmente entre 1935 e 1958, mas com a nova lei, seus cidadãos poderiam agora exercer o direito de gerir seus destinos, fazendo suas próprias escolhas políticas, bem maior dentro de uma democracia, uma cláusula pétrea na constituição de um estado de direito.
Encerrava-se assim um rico período onde predominaram a tuberculose com seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.
O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu." São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.
Mesmo quando foi declarada Área de Segurança Nacional (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969) pelo Governo Militar, não podendo eleger seu prefeito, São José dos Campos deu um salto para o futuro com uma política administrativa e financeira inovadora e globalizante, "abrindo suas portas para o mundo."
Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi  na cidade com ares cosmopolitas onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passavam a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço que se paga pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem alma," "sem rosto."
Mercê de suas políticas públicas inovadoras desde 1920, que implantaram e ampliaram seu equipamento público e diversificaram seus meios de produção, São José dos Campos abriga a possibilidade de um futuro de mais bem-estar, oportunidades e progresso para as gerações atuais e para as futuras, cujo destino é escrito pelo hoje das ações das suas administrações públicas, entidades privadas e da sua miscigenada população, não importando de que recanto do nosso país ou de que parte do mundo ela tenha vindo.
Multicultural e multifacetada, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.
São José dos Campos tem um inexorável e formidável destino e o desejo é de que essa trilha a leve a ser uma cidade com qualidade de vida na conformidade com os mais elevados padrões preconizados pela Organização das Nações Unidas, uma cidade-referência, o que pode significar enxergar o hoje com os olhos de daqui a 50 anos e implantar esse amanhã, hoje!

                                                  
                                                        

A Lei nº 140 de 23/10/1923, assinada pelo Prefeito Municipal Tenente-Coronel João Alves da Silva Cursino, fixou o orçamento para o exercício de 1924 para a construção do Paço Municipal, na Praça Afonso Pena, 1. O prédio foi inaugurado no dia 11 de abril de 1927. Mas, no dia 30/11/1929 o mesmo prefeito, pela Lei nº 217, fez a doação do prédio para a Escola Normal  Livre, criada recentemente. 

II) COMENTÁRIO

A REVOLUÇÃO DA INTERNET

                             
Com a internet, "todo mundo" tem opinião e um "púlpito" para expressá-la, por mais desconexa, sem bom senso e ultrajante que seja. Pedidos de desculpas por ter "falado" demais pululam em meio a reações indignadas e ações na justiça, movidas por "famosos" e "anônimos."

+  É visível, sem precisar recorrer a dados de órgãos públicos encarregados, o aumento do número de veículos que circulam por ruas e avenidas, principalmente pelo magnífico Anel Viário (Sistema Viário Sérgio Sobral de Oliveira) e, que tem como agravante, motoristas apressados, impacientes e irritadiços. Nas auto-escolas aprende-se o controlar o carro e a se preparar para o temível exame de "baliza," mas não se ensina lhaneza, respeito humano e a observância do Código Nacional de Trânsito.

+ Impressiona a quantidade de pequenos mercados e supermercados de rede, assim como de elevado padrão, espalhados pela cidade, principalmente pelo Parque Residencial Aquarius. Entretanto, enquanto isso o Mercado Municipal, no centro geográfico da cidade, mantém seu movimento e sua majestade.


III) SOBRE LIVROS E PODER

                                     

1822

O livro do jornalista e escritor Laurentino Gomes 1822  da Editora Nova Fronteira, descreve os tempos da Independência do Brasil e retrata, mais realisticamente, a natureza daqueles que compunham o povo brasileiro, principalmente, aqueles que lidavam com os bastidores do poder.
A Independência do Brasil não aconteceu de forma pacífica naqueles tempos de escravidão, uma história acontecida pouco mais de 300 anos após o Descobrimento.

OS ROMANOV 1613- 1918

                                                      


Em Os Romanov 1613-1918, Editora Cia. das Letras, do historiador, filósofo e professor inglês Simon Sebag Montefiore, é contada a história de mais de 300 anos da dinastia que mais influenciou na construção da Rússia de hoje. Os Romanov foram tirados do poder pela Revolução de 1917.
Em ambas as histórias, não fazendo uma analogia pura e simples, estão presentes os eternos componentes do mundo do poder: tramas, intrigas, assassinatos, interesses pessoais, interesses de grupos econômicos, paixões e algum empenho pelo bem do povo.
Em ambas as narrativas estão presentes histórias de amor, casamentos por conveniência, traições de todos os tipos e soberba, onde o poder é a prevalente engrenagem em torno da qual tudo gira, e como ele, o poder, pode distorcer a personalidade dos seus detentores.
Alguns séculos são passados e apesar dos avanços civilizatórios, o mundo do poder ainda tem vários daqueles ingredientes, aos quais se somaram outros inerentes aos tempos hodiernos, pois, seus agentes são homens, com suas virtudes e fraquezas!


IV) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

NAU SEM RUMO

Vive o solipsismo das suas próprias escolhas,
sem ninguém para divergir, 
nem para concordar,
nos infinitos momentos de si própria.
Em conversa muda,
na apatia da sua alma,
muitas vezes ausente,
o injusto opróbrio das esquecidas alegrias,
das trocas mais íntimas experimentadas em profusão,
em tempos de relações humanas não enviesadas.
Vive como um grande navegador sem bússola, 
que se guia pelo dia e pela noite,
na esperança de que,
numa manhã de amarelado nascer do sol,
à sua frente, surja terra firme!

V) PENSAMENTO

                                

              O tempo embaça a memória e modera o espírito.



Friday, August 11, 2017

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.

                                                              



I) COTIDIANO

     EXCALIBUR                      
                            


     
É conhecida a história da espada Excalibur: fincada numa pedra, vários cavaleiros tentaram tirá-la e não o conseguiram. Não eram preparados e valorosos o suficiente para tão difícil trabalho.
A espada estava destinada a uma grandeza maior, comprometida com o bem comum, a liberdade e o bem estar de um povo.
Uma outra versão da história da espada Excalibur repete que muitos outros tentaram apanhá-la, mas em um lago e não o conseguiram, pelos mesmos motivos. Mas, a Dama do Lago, vendo no Rei Artur sua nobreza, lhe oferece a espada no meio do lago, reconhecendo seu direito ao trono da então Bretanha, que ele, com seu idealismo e bravura, veio a unificar na nação que seria chamada de Inglaterra.
A segunda versão da espada Excalibur é a contada pelo escritor Howard Pyle, em livro publicado em 1902, The story of King Arthur and his knights.
Nosso país tem, há muitas décadas, vivido e sobrevivido a inúmeras e dramáticas crises econômicas e políticas, com todas suas sequelas no meio social.
A espada de Excalibur, da pedra ou do lago, está na carne do povo brasileiro, para ser entregue àquele que com paixão, idealismo, coragem, toda honestidade possível e sentimento democrático, venha a bradá-la com honra e liberdade para que, verdadeiramente, se construa uma nação de primeiro mundo.
A espada de Excalibur, da pedra ou do lago, está à espera de um estadista que venha a dar um fim à contínua instabilidade institucional, econômica, política e social que faz parte das nossas vidas há décadas!


II) COMENTÁRIO

      POLÍTICA, IDEALISMO E UTOPIA

Thomas More (1478-1535) foi canonizado pela Igreja Católica em 1935, quatrocentos anos depois de ter sido decapitado pelo Rei Henrique VIII (1491- 1547) da Inglaterra.
Formado em Direito na tradicional Universidade de Oxford, Thomas More foi membro do Parlamento inglês, juiz e chanceler de Henrique VIII.
Sua obra mais notável foi o livro UTOPIA, onde descreve um país imaginário com um governo organizado da melhor maneira e que proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz, onde as leis são debatidas por todos antes de ir à votação e a liberdade é uma premissa verdadeira.
Seu país - no mundo real - é uma verdadeira utopia, uma fantasia, levando-se em consideração a natureza do gênero humano, ávido pelo poder, suas comodidades e seus privilégios.
Católico fervoroso, Thomas More discordou do divórcio de Henrique VIII, que desejava se casar com Ana Bolena, ele que já era casado. Sua discordância não impediu que o rei se separasse e se casasse, rompendo com o poder papal e criando a Igreja Anglicana.
As virtudes políticas e éticas de Thomas More, sua integridade e sua força moral o levaram a perder a vida, num tempo em que os caprichos dos reis eram lei.
Nos tempos hodiernos, as notáveis virtudes de Thomas More são as utopias da vida política, onde uma maioria incausada, incongruente e despreparada se rende a um efêmero poder, privilégios e outros incontáveis e sedutores benefícios materiais, pertinentes alguns poucos, de duvidosa ilicitude a maioria deles.
Thomas More, com sua integridade, se vivesse também nos tempos de hoje e saísse a passeio pelo mundo, veria que nada mudou e que seu sonho era mesmo uma utopia!


III) TÚNEL DO TEMPO

                        

          ERA UMA VEZ UMA BANCA DE JORNAIS

Na Rua XV de Novembro, quando ela era o coração da cidade, havia, colada a uma farmácia que ficava na esquina com a Praça da Matriz (Praça Cônego João Guimarães), a Banca de Jornais do Vicente Schiamarella.
Pequena, apesar de ser a única e mais importante da cidade - portanto - ficava a 2 degraus acima do nível da avenida e na beira da calçada.
Entrando, à esquerda, havia um box de vidro onde Schiamarella ficava, sempre com uma cigarrilha à boca, recebendo e vendendo bilhetes de loteria.
Um longo barbante, no alto, atravessava o local com bilhetes de loteria pendurados, como se fossem pequenas bandeiras.
Havia prateleiras com gibis, revistas e jornais, esses últimos lidos "de graça" pelos frequentadores habituais.
Acima do nível havia um estrado onde ficavam as cadeiras de engraxate, com seu característico "batuque ritmado" quando o cliente era instado a trocar o pé da graxa e do lustro.
Era a única banca da cidade até os anos 1950.
Mudou-se no início dos anos 1960, para a esquina da Rua XV de Novembro com a Rua Sebastião Hummel, do lado oposto de onde fica agora a Biblioteca Pública Cassiano Ricardo.
Só mudou o local. Todo o visual e ritual restante permaneceram, inclusive os frequentadores que liam os jornais "de graça" e falavam de futebol, cotidianamente.
Com o crescimento da cidade, foram surgindo as "bancas de rua." Mas, Schiamarella ainda era o longevo representante das mais importantes revistas e jornais, e ele fazia a distribuição, mantendo o controle sobre as vendas.
O tempo passou, Schiamarella se foi, a cidade "esticou" para todos os lados, a internet chegou e tudo se modificou.
As bancas hoje, em menor número, vendem mais figurinhas dos super heróis, do Pokémon e da Pepa e, principalmente, fazem muita recarga de celulares, em meio à queda na venda de revistas e jornais impressos.
Um novo tempo!



IV) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

          OS ENCANTOS DA NOTORIEDADE

Há algo de naturalmente mágico em se ser exótico, como era Salvador Dalí, no jeito despojado e na arte incontida; em se falar um idioma diferente enquanto os outros falam o mesmo; em ser um excepcional, rápido e carismático atleta; em ser um extraordinário virtuose em algum instrumento musical; em ser muito, muito rico ou - simplesmente - ser muito, mas muito famoso, de forma que sua foto não precise de legenda.
Há, por parte da multidão, dita anônima, uma gentil deferência, uma nem pouco dissimulada admiração, respeito e simpatia para com eles, como se quase fossem membros da família.
As portas do mundo se abrem para eles, como se disso precisassem, como se seus recursos financeiros, atributos - hereditários ou conquistados - e sua notoriedade não fossem o suficiente.
Na sua intimidade, são comuns portais, com suas dores, amores e despudores, mas no grande palco do mundo, quer seja em efêmera ou duradoura glória, são como deuses do Olimpo!


V) OUTROS CONTOS, CRÔNICAS E MAIS

                     

          ÍCARO

Sonha um sonho nunca sonhado.
Sonha um voo.
Sem asas de cera como Ícaro.
Nada tem a derreter, só a temer.
Sonho ou realidade, não se apercebe do sonho.
O braços abertos no mergulho nas profundezas do vazio.
A palpitação, o susto.
Acorda em sobressalto.
Não sabia que dormia.
Vira-se para o lado e contempla, em turva visão, 
a companheira em profundo, ressonante e calmo sono.
Cerra os olhos.
Quer ser Ícaro sem asas de cera.
Quer voar do lugar comum onde as emoções são um sonho distante.


Não quer o preto e o branco da rude realidade.

Quer voar emoções em cores.
Quer ser Ícaro sem asas de cera!


VI) PENSAMENTO

                 

                            Vive a vida simplória dos sem importância. É feliz!

Saturday, July 22, 2017



                                                     

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
augudias@gmail.com


I) COTIDIANO

     SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 250 ANOS - 27/7/2017


LOCAL DE FUNDAÇÃO

São José dos Campos nasceu onde é hoje a Praça da Matriz (Praça Cônego João Guimarães). "Foi primeiro autor desta obra o Irmão Manuel Leão, o qual querendo eternizar esta nova residência fabricou aos índios casas de taipa de pilão, começando a ordená-la em modo de quadra, que já hoje se vê fechada, ainda que com obra menos durável, por não ter a pouca ambição destes homens para maiores edifícios." - Vida do Padre Belchior de Pontes, da Companhia de Jesus - Lisboa - 1751.


A CRIAÇÃO DA VILA

Em 22 de dezembro de 1.766, com o objetivo de agregar os índios e organizar sua administração, fortalecer o domínio português e cobrar impostos, o Governador Geral da Capitania de São Paulo, Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão - Morgado de Mateus, oficiou à Corte Portuguesa propondo a elevação a Vila, da Aldeia de São José dos Parahyba, que pela demografia de 1.766, contava com 94 fogos (casas), 205 mulheres e 159 homens.
No dia 27 de julho de 1.767, foi levantado o pelourinho, símbolo de autoridade e justiça. Houve aclamações  a Sua Majestade, o Rei de Portugal e salva de tiros de mosquetes pelos soldados. Celebrou-se um solene Te Deum. Para administrar a Vila, foram eleitos 2 juízes, 3 vereadores e um procurador.


                                                   

1.817 - São José dos Campos em desenho da passagem de Thomas Ender por São José dos Campos - Local onde é a Praça da matriz. Arquivo Público do Município.


A CIDADE SANATORIAL

Em 1.900 a população do município era de 22.816 habitantes e a cidade já era procurada por tuberculosos por causa dos seus "ares generosos," ciclo que se encerrou nos anos 1.960. 
Foi um período histórico onde predominaram a tuberculose com os seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.

                                                     


Anos 1930/1940 - O icônico Sanatório Vicentina Aranha, hoje de propriedade do Município, foi inaugurado no dia 27 de abril d 1.924, com a presença do então Presidente (Governador) do Estado, Dr. Washington Luiz Pereira de Souza. Na parte baixa da foto, está a Avenida Nove de Julho. Nota-se o pouco número de residencias à sua volta, num tempo em que o centro da cidade era muito longe e sua população era de 30.681 habitantes. Arquivo Público do Município.

                                           
                                                              
                                                  

Anos 1940 - O Sanatório Ruy Dória ficava na esquina da Rua Vilaça com a Rua Francisco Paes e era um dos mais bem equipados. Pertencia do Doutor Ruy Rodrigues Dória que, além do seu ofício de médico, teve importante atuação na vida social e política de São José dos Campos. Como tantos outros, havia vindo para a cidade para tratar sua tuberculose. Arquivo do Município.


A NOVA VOCAÇÃO

O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje, D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu." São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.

                                                       

Até os anos 1.960, tempos do ciclo sanatorial, São José dos Campos era uma cidade plana. Centro da cidade com banhado à direita. Arquivo Público do Município.



Anos 1.960 - Apesar do crescimento populacional nos anos 1950/1960 (5,56%) e 1960/1970 (6,77), São José ainda era uma cidade horizontal, com pequenas alterações em sua área central. - Arquivo Público do Município.

                                        
São José dos Campos, anteriormente a 1.970, além do crescimento experimentado e da mudança da sua vocação, deixando de ser sanatorial (primeira metade dos anos 60) e passando a ser cidade industrial, tinha total liberdade para escolher seus governantes, direito esse adquirido em 14/1/1958, quando deixou de ser Estância Climatérica e Hidromineral.
Mas, com o país vivendo sob a égide do governo militar que se iniciara em 1.964, pelo Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969, a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional e o Governador do Estado, Abreu Sodré, nomeou prefeito-interventor o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que, portanto, não concluiria o seu mandato.


UMA NOVA CONCEPÇÃO ADMINISTRATIVA

Com mentalidade empresarial, o novo prefeito buscou alargar as fronteiras comerciais e sociais, ampliando os horizontes da cidade em crescimento, mas ainda com costumes provincianos, para projetá-la como um futuro centro cosmopolita.
Manteve as leis de incentivo fiscal, atraiu indústrias transnacionais e nacionais, trouxe recursos e investidores do exterior, importando técnicas, processos e produtos.
Foi planejado o Anel Viário, projeto imaginado, mas não viabilizado por prefeitos anteriores como Benoit de Almeida Vitoretti (1.951/1.954), dentro da concepção da sua época. Foi construído o Calçadão, uma revolução no comércio, assim como a descentralização do centro comercial para a Vila AdyAna, sob os veementes protestos dos comerciantes que a achavam longe demais.
Além de outras medidas estimulou a verticalização, provocando um boom imobiliário com a construção de prédios de apartamentos e conjuntos habitacionais e modificando de forma vigorosa a ainda modesta paisagem urbana horizontal.

                                                     
                                           

Final dos anos 1.970 - O Anel Viário é uma das mais formidáveis obras públicas de todos os tempos. Foi planejado e iniciado à partir da administração do prefeito Sérgio Sobral de Oliveira e continuado pelos prefeitos que o sucederam. Na foto, no trecho da Avenida Jorge Zarur, ao fundo, no alto, à esquerda está hoje o Condomínio Colinas e ainda ao fundo, no centro da foto, onde há vegetação alta, está o Shopping Colinas. À frente deles está a continuidade da Avenida São João com a Avenida Cassiano Ricardo.


CRESCIMENTO

Na década 1.970/1.980 o crescimento populacional foi de 6,82%, percentual que viria a cair para 3,99% na década 1.980/1.990 e para 2,61% na década 1.991/2000.
São José dos Campos deu um salto para o futuro, lastreado em sólidas políticas públicas desde o princípio dos anos 1.920, à partir dos anos 1.970.


MODUS VIVENDI

Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começariam a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costume da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas, onde o individualismo e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo"  as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome.
Um preço a, inevitavelmente, se pagar pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem rosto," sem "alma,"
Multifacetada e multicultural, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.


O HOJE COM OS OLHOS NO AMANHÃ

Por mérito próprio das suas administrações e da sua gente, por circunstâncias e - principalmente - pela combinação desses fatores todos, São José dos Campos soube crescer desde o início do século XVII, mas - principalmente - pela coragem de inovar nos anos 1.920 e pela abrangente visão de futuro à partir de 1.970.
Que se possa enxergar o hoje e construí-lo com os olhos no amanhã!

                                     
                 São José dos Campos no final da década de 1970 já era uma cidade vertical
=========================================================================
                        


                                         


                                                            

                                  

Monday, July 10, 2017

 

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.



I) COTIDIANO

    O REPARTIR DE UMA LIDERANÇA

                                     

Dentre as nações do mundo, uma emergiu como grande liderança ao término da II Guerra Mundial (1939-1945): os Estados Unidos da América. A partir de então, sua cultura se espalhou pelo mundo ocidental e eles se tornaram os defensores dos direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade, direitos inalienáveis de todos americanos, nos termos da Declaração da Independência redigida, principalmente, por Thomas Jefferson.
Atualmente, o conservadorismo parece ter se assomado com grande força por meio do seu presidente, um homem de negócios sem experiência política e parecendo não ter compreensão da importância do seu país no equilíbrio das forças mundiais.
O conservadorismo e a forma teatralizada e espontânea com que ele se expressa e a rejeição ao modelo de político tradicional cativou os colégios eleitorais e muitos da população que votam quando querem.
A postura do novo presidente americano contrasta com a dos grandes presidentes do passado, cujos nomes e feitos se encontram nos livros de história do mundo ocidental.
Não mais liderança respeitada como a do presidente anterior, abre espaço para outros líderes de nações que tratam a coisa pública de maneira mais sóbria e coerente.
O atual presidente conquistou o americano "comum," aquele que fala e age como ele, sem as devidas ponderações e respeito pelo próximo, como se estivesse numa rodada íntima de cerveja num lugar público, assistindo à um jogo, num linguajar nada acadêmico.
Entretanto, parece, que os formidáveis valores que fizeram da América uma grande nação, são capazes de passar por essa turbulência de maneira incólume, embora com algumas cicatrizes, tal a resiliência dos valores democráticos americanos!


II) COMENTÁRIO

     SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E UMA VISÃO DE FUTURO

                                
A Rua 7 de Setembro - que já foi chamada de Rua do Fogo - e onde na década de 1970 foi instalado o Calçadão, tinha essa "cara" quando dois ex-prefeitos "abriram nossos portos" para a instalação do agora Departamento do Centro Técnico Aeroespacial, àquele tempo, COCTA - Comissão Organizadora de Centro Técnico de Aeronáutica.  Ao fundo, a Praça João Mendes (Jardim do Sapo) - foto: Arquivo Público do Município -FCCR.

Escolhida pelo Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, para abrigar o C.T.A., os trabalhos de levantamento topográficos foram iniciados em 1.947.
Mas, a doação da área de nove milhões, duzentos e oitenta mil metros quadrados das terras devolutas do Campos dos Alemães aconteceu, legalmente, somente em 16/11/1.951.

Entretanto, a boa vontade política da administração pública do município se iniciou com o ofício nº 44/0285 de 26/4/1.944, do prefeito-sanitário Pedro Popini Mascarenhas:

"Confirmando as informações que tive o prazer de prestar, verbalmente, aos dignos oficiais desse serviço, que estiveram inspecionando o campo de aviação local, para verificar a possibilidade de nele ser instalado esse serviço, tenho a honra de solicitar a V Sa. a fineza de fazer sentir o Exmo. Ministro da Aeronáutica que esta Prefeitura fará doação, ao domínio da União, dos terrenos escolhidos pelos referidos oficiais. Deseja esta Prefeitura colaborar no máximo de suas forças para a realização desse grande empreendimento ligado à defesa nacional e, com esse objetivo é que se anima a fazer a presente oferta à gloriosa Aeronáutica do Brasil." - Pedro Popini Mascarenhas - Prefeito Sanitário.

Pelo ofício nº 88/0503/47 de 01/07/1.947 dirigido ao Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, Chefe da Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica, o Prefeito Sanitário Jorge Zarur reitera a proposta de doação da área:

"Tenho a honra de comunicar a V Exa. que esta Prefeitura põe à disposição do Ministério da Aeronáutica, os terrenos de sua propriedade, abrangidos nos planos do Centro Técnico de Aeronáutica, os quais serão doados para esse fim ao Governo Federal, podendo, assim, ser dado início às respectivas obras." - Jorge Zarur - Prefeito Sanitário.

O empreendimento contou também com o apoio do Interventor Federal em São Paulo, Fernando Costa, que pelo Decreto nº 18-125/45 de 18/5/1.948 declarou de utilidade pública e veio a custear desapropriações que chegaram a três milhões, duzentos e trinta e três mil, setecentos e trinta e sete metros quadro de terra.


III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

   COMO MONALISA ou A MULHER REFLETINDO SOBRE SUA FOTO

Na última foto pode estar meu último "eu," um dos meus muitos "eus."
Por que eu sou esta da última foto e não a da primeira ou das centenas tremidas, inesperadas, profissionais, amadoras, escuras ou avermelhadas dos anos passados?
Por que eu não sou mais aquela da foto de 30, 20, 15 anos ou tantas décadas atrás?
Onde estará o bebê que fui, chorou, mamou, sorriu, engatinhou e andou trôpego e que ninguém conhece ou reconhece?
Então, todo aquele tempo nada fui, a não ser um bebê, um adolescente, uma jovem adulta, uma mãe emocionada em rostos mutantes?
Por que ninguém me conhece como fui, mas somente como estou?
Por que quase ninguém soube de mim até então?
Eu brinquei, cresci e um pouco me descobri. Mas, da vida lá fora e da intrincada complexidade do ser humano, nada soube na mesma velocidade.
Tive muitos rostos, corpos, mas somente os últimos me ligam a meu nome, como se congelado na memória de registros midiáticos e nos olhares noviços dos que há pouco vieram a habitar o mesmo universo e me olham curiosos, como a perguntar ou ignorar quem sou.
Sem feitos e nem fama, a honra de ser verbete de dicionário não haverei de ter.
A última foto deverá estar amarelecida e embaçada pelo tempo, em companhia de outras tantas.
Meu nome nem para a lápide irá, pois, cinzas, antes do pó, haverei de me tornar e ao vento e às águas do rio me dissiparei em insignificantes e invisíveis partículas.
Enquanto isso, a navegar nas águas e a voar aos ventos dos felizes eu estarei, até que a derradeira foto seja tirada!


IV) PENSAMENTO

                                     


Por que somos finitos? Por que essa finitude que nos contraria a vontade? Por que não uma eterna permanência que nos permita a correção dos desacertos, o aprimoramento das virtudes e o gozo de uma vida plena de realizações e de elevado espírito? Por que não?

Monday, May 29, 2017


                                                       

Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.

augudias@gmail.com


I) COTIDIANO

    SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - O PEDESTRE

O sinal é sempre vermelho para o pedestre, em meio ao pouco civilizado comportamento de motoristas impacientes, apressados e "donos das ruas," proprietários do espaço público sem qualquer escritura lavrada em cartório, pouco importando as normas do Código de Trânsito Brasileiro.
A cultura do mais "forte" - daquele que tem como sua a pretensa blindagem do seu veículo sobre a fragilidade do ser humano à sua frente - o faz esquecer os mais elementares ditames do respeito humano.
Um ônibus - seu motorista - no trânsito, tem uma postura mais agressiva que um caminhão pequeno e tomará seu espaço, enquanto esse último fará manobras tão ousadas quanto aquele quando o espaço a ser ocupado à frente for um carro de passeio. Esse último, por sua vez, não hesitará em ocupar um espaço que não é seu, quando estiver a disputá-lo com uma motocicleta e muito menos ainda com uma bicicleta.
Na ponta do "invasivo" processo está o hipossuficiente pedestre, o elemento mais frágil nas andanças e travessias, o elemento mais frágil na trilogia trânsito - veículos - vida humana.
São José dos Campos é uma cidade que "esticou."
O quadrilátero no planalto que constituiu o centro da cidade por quase 2 séculos e toda sua vida política e social até então, a começar pela Praça da Matriz, estendendo-se a poucas quadras no seu entorno, avançou - desde os anos 1.960 e, mais fortemente, a partir dos anos 1.970, principalmente paras as zonas sul, oeste e leste e - um pouco menos - para a zona norte. 
Tudo é mais longe. Aumentou a presença do transporte coletivo público, que longe do ideal, deixa usuários à sua espera e os transporta em condições nem sempre as mais salutares, muitas vezes fazendo trajetos de pé em ônibus lotados, com desconforto e risco à integridade física.
Com o anel viário, uma das mais magníficas obras das administrações públicas de São José dos Campos, mudou-se a dicotomia, o conceito rua/calçadas.
                                       


O cidadão depende de um meio de transporte para ir de um lado a outro da cidade, quer seja público ou privado, mas ao contrário de muitas cidades do primeiro mundo, não temos ainda metrô de superfície, nem uma malha ampla e segura de ciclovias e - principalmente - não temos a cultura de respeito pela segurança e vida do ser humano.
Ocupa o espaço o que primeiro chegar, numa disputa surda e inconsequente.
Num antigo desenho dos Estúdios Disney, o personagem Pateta, pessoa pacata, simplória e generosa, se transformava num agressivo, impaciente e intolerante motorista quando ao volante do seu veículo.
Transformar esses motoristas, existente em grande quantidade em nossas vias públicas, em cidadãos conscientes e responsáveis, seria a missão quase impossível a ser cumprida pelas administrações públicas, com educação desde o ensino elementar nas escolas públicas e privadas, passando por programas - ad eternum - para adultos, desde as auto escolas, nas mensagens no dia a dia na malha viária e na aplicação das normas de trânsito através da fiscalização física e por câmeras.
São José dos Campos é uma cidade cuja história se diferencia da vasta maioria dos municípios brasileiros, com suas indústrias de grande porte, diversificado sistema educacional, com ampla prestação de serviços e com tecnologia aeronáutica de ponta.
É muita coisa para uma cidade que se transformou de pequena e provinciana, a metrópole em menos de 50 anos.
São José dos Campos precisa encontrar seu diferencial no espaço público que todos utilizam. 
São José dos Campos precisa encontrar seu diferencial humano, sua alma, o elo que a une aos melhores valores do respeito e da convivência humana no espaço público!


II) COMENTÁRIO

      POLÍTICA - SEUS BASTIDORES
          
                                     

                Mais de trezentos anos depois, as lições do Cardeal Jules Mazarin ainda são atuais.


Lemos ou vemos as notícias sobre os acontecimentos políticos em todos os níveis em que eles - representados pelos atores políticos escolhidos pelos cidadãos - gerenciam cidades e nações.
Delas, as notícias, tiramos nosso entendimento de longe e formamos nosso juízo, que em nossa opinião, são de toda justeza, mas - geralmente - frágeis e emocionais devido à insuficiência de dados ou pelo consolidado posicionamento político de cada um.
Mas, o que nos é apresentado é o que realmente se passou ou se passa nos bastidores? Quais os propósitos, as conveniências e os interesses?
O Breviário para Políticos, escrito pelo Cardeal Jules Mazarin (1602-1661), primeiro-ministro que sucedeu ao Cardeal Richelieu (1585-1642), aquele mesmo que nas diversas versões do filme Os Três Mosqueteiros, extraído da obra de Alexandre Dumas, onde aparece como o homem mais poderoso e gênio malvado da política na França ao tempo do Rei Luiz XIII, mostra que o homem que detém o poder ou luta por ele, jamais deve exprimir qualquer sentimento pessoal ou particular sobre o que acontece nos bastidores.
O livro mostra a teatralidade das relações políticas, os arranjos - com bons propósitos ou não - as tramas ou intrigas que se desenvolvem nos bastidores, as quais o público desconhece e das quais - geralmente - jamais virá a saber.
Segredos, inteligência política, prudência verbal, amizade fraternal um dia e ódio figadal no outro, vingança, verdade, delação, dissimulação, confiança, desconfiança, interesse pessoal ou desejo sincero de fazer o bem comum são os elementos básicos da atuação nos bastidores.
Enquanto isso, a plateia, ávida e necessitada de uma grande performance, aguarda - ansiosamente, que o interesse de todos, a melhora na qualidade de vida e o bem de um povo subam ao palco e recebam - ao final - mercê de sua grande atuação, uma grande ovação!


III) HISTÓRIA

       SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
   
       O INÍCIO DOS ANOS 1.970

                                    

Anos 1.940 - Tempo em que São José dos Campos ainda era muito pequena e a rua servia tanto para o pedestre como para os poucos veículos e mal sabia da transformação que viria a sofrer poucas décadas depois. Na foto, a Praça Afonso Pena com o prédio do Fórum e depois da antiga Coletoria Estadual, e mais ao fundo, o antigo prédio do Grupo Escolas Olympio Catão. (Arquivo Público do Município - FCCR).

O intenso crescimento populacional registrado nas décadas de 50/60 (5,56%), 60/70 (6,77%) e 70/80 (6,82%) "deveu-se fundamentalmente a 2 fatores: ao grande número de migrantes atraídos pela industrialização e à alta taxa de fecundidade presente na cidade nessas décadas." (São José dos Campos em Dados - 2004 - Informações sobre a cidade de São José dos Campos - Secretaria do Planejamento da Prefeitura Municipal de São José dos Campos).
No início da década de 1970, o país continuava a viver sob a égide do governo militar que se iniciara em 1.964. Era o tempo do milagre econômico, do tricampeonato de futebol no México, das altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto e do Brasil do Ame-o ou Deixe-o
O governo militar viria alterar a ordem política em São José dos Campos e pela Lei Orgânica dos Municípios (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969), a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional e o Governador do Estado, Abreu Sodré, nomeou prefeito-interventor o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que - portanto - não viria a concluir seu mandato. 
A cidade cresceu de forma impressionante e se modernizou.

"São José dos Campos acompanha os passos do gigante."....."A cidade passou a ser o centro comercial do Vale do Paraíba, do sul de Minas e do litoral norte." (Depoimentos do prefeito-interventor Sérgio Sobral de Oliveira prestados ao autor deste BLOG em 24/11/1989.)


IV) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

       O INCONTROLÁVEL TEMPO

                                      
                                                                
     
Um dos maiores bens que temos e um dos mais olvidados é o tempo. Dele pouco nos ocupamos, a não ser para falar das questões climáticas ou que a vida passa muito rapidamente.
Incorporado às nossas vidas desde o nascimento, o olvidamos durante longos períodos de sono ou desalentada dormência.
Medido pelo sol, fogo, ampulheta, pelas teorias de Isaac Newton ou Albert Einstein, pelo calendário egípcio, babilônico, grego, juliano, gregoriano ou por precisas máquinas, o tempo é - no entanto - pouco preciso quando os sentidos e sentimentos precisam da sua exatidão. Nada pode ser então medido.
Apesar da medida universal, ele pode ser penosamente longo ou por demais breve, sujeito que é às intempéries e ditames da ansiedade e da emoção; às aflições à espera do amor que se quer seja correspondido ou pela descoberta do erro cometido e passível - portanto - de reprimenda.
O tempo, tão controlado na sua métrica, é incontrolável na alma humana!



V) PENSAMENTO

                                        

Há pessoas que querem ser livres para si próprias, mas que - todo o tempo - aprisionam os que estão à sua volta, submetendo-as às suas mais bizarras vontades, à sua impaciência, ao seu amor egoísta, à sua falta de modos e ao seu fustigante autoritarismo.