Este blog é editado pelo escritor, jornalista, advogado e professor Augusto Dias, ocupante da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. augudias@gmail.com
I) COTIDIANO
A MUDEZ NA FALA
Havia um tempo em que as cadeiras eram colocadas nas calçadas, as famílias "jogavam conversa fora," as crianças brincavam na rua quando a televisão ainda não era "o membro mais falante" da família.
Ter um telefone era um sonho caro e não muito fácil de se conseguir devido à exiguidade da rede telefônica. Quando ele se tornou mais acessível, se transformou no sonho real dos jovens que "ficavam horas" conversando com amigos e namorados para desespero dos pais, que pagavam as contas.
Hoje o telefone fixo é recebido com reservas pelos consumidores em pacotes de provedoras de internet.
O celular, em suas variações, é a "voz" que não se ouve e transformou a comunicação num ágil e eficaz escrever de textos, com alquebrado rigor gramatical.
A emoção da voz foi substituída pelos textos num comunicativo mutismo.
Haverá um futuro em que pouco leremos, pouco nos falaremos, pouco nos veremos, pouco nos amaremos, pouco nos importaremos, distantes de cada um que estaremos, como no premonitório A Máquina do tempo de H.H. Wells.
Assim caminha a humanidade, no ágil e inexorável avanço das ciências e das tecnologias e no vagar do desenvolvimento das relações humanas.
II) CRÔNICAS, CONTOS E DEMAIS
SOLILÓQUIO
Seu solipcismo é o abrigo de si mesmo,
sua polis,
sua fortaleza e sua fraqueza.
Vive em monólogo perpétuo
no negrume das fugidias relações humanas.
Eremita sem causa,
no ostracismo,
sepulto em vida,
sem fortunas, sem honrarias.
Náusea,
como Antonio Roquentin, de Sartre,
sozinho,
sem amigos,
sem amor, nada lhe importando,
nem ele mesmo.
Monólogo da desesperança.
Lá fora,
o sol,
a esperança,
o amor e a vida que não cessam.
Ele, no entanto, no débil abrigo de si mesmo!
III) HISTÓRIA
1958
Décadas de 1950/1960 - Rua XV de Novembro, a principal avenida da pequena São José dos Campos.
Em 1.958 o coração de São José dos Campos era a Rua XV de Novembro, a mais importante avenida da sua malha viária, uma das poucas vias asfaltadas e onde tudo acontecia.
Nela e nas praças e ruas do seu entorno ficavam a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal, os clubes, os melhores restaurantes, as escolas, a única banca de jornais, o mercado municipal, o hospital, os consultórios médicos e de dentistas, os bancos e os restaurantes.
Mas, o grande momento da coração da cidade, da Rua XV de Novembro, era o footing entre a rua Rubião Júnior e o Largo da Matriz, num espaço de 3 quarteirões, que acontecia aos sábados e domingos à noite, logo após a sessão de cinema no Cine Paratodos, num cadenciado subir e descer a avenida.
Era o ponto de encontro de amigos e namorados antes de ir para casa.
Hoje, durante o dia, a Rua XV de Novembro é um agito com trânsito, bancos e comércio popular.
À noite, é escura e quase desértica!
IV) TÚNEL DO TEMPO
OLIVIA DE HAVILLAND
Olivia de Havilland, no papel de Melanie em "O Vento Levou," filme de 1.939, um dos 10 melhores de todos os tempos.
Ganhadora de 2 prêmios Oscar, Olivia de Havilland tem 101 anos de idade e é a única artista do elenco daquele filme que ainda vive.
Ela mantém uma vida ativa em Paris, onde mora há muitos anos.
Olivia de Havilland em evento recente.
O tempo, na inevitabilidade da decrepidez do corpo, não abate o melhor o melhor do ser humano que é o vigor mental e a férrea vontade de ser no mundo, em vez de estar no mundo.
V) PENSAMENTO

Para o comum das pessoas, não interessa quem você é, mas sim o que você representa.






Parabéns pai por tudo q escreve. Adoro essa volta ao tempo e sua visão da atualidade!! Bjs
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