Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
I) COTIDIANO
O REPARTIR DE UMA LIDERANÇA
Dentre as nações do mundo, uma emergiu como grande liderança ao término da II Guerra Mundial (1939-1945): os Estados Unidos da América. A partir de então, sua cultura se espalhou pelo mundo ocidental e eles se tornaram os defensores dos direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade, direitos inalienáveis de todos americanos, nos termos da Declaração da Independência redigida, principalmente, por Thomas Jefferson.
Atualmente, o conservadorismo parece ter se assomado com grande força por meio do seu presidente, um homem de negócios sem experiência política e parecendo não ter compreensão da importância do seu país no equilíbrio das forças mundiais.
O conservadorismo e a forma teatralizada e espontânea com que ele se expressa e a rejeição ao modelo de político tradicional cativou os colégios eleitorais e muitos da população que votam quando querem.
A postura do novo presidente americano contrasta com a dos grandes presidentes do passado, cujos nomes e feitos se encontram nos livros de história do mundo ocidental.
Não mais liderança respeitada como a do presidente anterior, abre espaço para outros líderes de nações que tratam a coisa pública de maneira mais sóbria e coerente.
O atual presidente conquistou o americano "comum," aquele que fala e age como ele, sem as devidas ponderações e respeito pelo próximo, como se estivesse numa rodada íntima de cerveja num lugar público, assistindo à um jogo, num linguajar nada acadêmico.
Entretanto, parece, que os formidáveis valores que fizeram da América uma grande nação, são capazes de passar por essa turbulência de maneira incólume, embora com algumas cicatrizes, tal a resiliência dos valores democráticos americanos!
II) COMENTÁRIO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS E UMA VISÃO DE FUTURO
A Rua 7 de Setembro - que já foi chamada de Rua do Fogo - e onde na década de 1970 foi instalado o Calçadão, tinha essa "cara" quando dois ex-prefeitos "abriram nossos portos" para a instalação do agora Departamento do Centro Técnico Aeroespacial, àquele tempo, COCTA - Comissão Organizadora de Centro Técnico de Aeronáutica. Ao fundo, a Praça João Mendes (Jardim do Sapo) - foto: Arquivo Público do Município -FCCR.
Escolhida pelo Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, para abrigar o C.T.A., os trabalhos de levantamento topográficos foram iniciados em 1.947.
Mas, a doação da área de nove milhões, duzentos e oitenta mil metros quadrados das terras devolutas do Campos dos Alemães aconteceu, legalmente, somente em 16/11/1.951.
Entretanto, a boa vontade política da administração pública do município se iniciou com o ofício nº 44/0285 de 26/4/1.944, do prefeito-sanitário Pedro Popini Mascarenhas:
"Confirmando as informações que tive o prazer de prestar, verbalmente, aos dignos oficiais desse serviço, que estiveram inspecionando o campo de aviação local, para verificar a possibilidade de nele ser instalado esse serviço, tenho a honra de solicitar a V Sa. a fineza de fazer sentir o Exmo. Ministro da Aeronáutica que esta Prefeitura fará doação, ao domínio da União, dos terrenos escolhidos pelos referidos oficiais. Deseja esta Prefeitura colaborar no máximo de suas forças para a realização desse grande empreendimento ligado à defesa nacional e, com esse objetivo é que se anima a fazer a presente oferta à gloriosa Aeronáutica do Brasil." - Pedro Popini Mascarenhas - Prefeito Sanitário.
Pelo ofício nº 88/0503/47 de 01/07/1.947 dirigido ao Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, Chefe da Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica, o Prefeito Sanitário Jorge Zarur reitera a proposta de doação da área:
"Tenho a honra de comunicar a V Exa. que esta Prefeitura põe à disposição do Ministério da Aeronáutica, os terrenos de sua propriedade, abrangidos nos planos do Centro Técnico de Aeronáutica, os quais serão doados para esse fim ao Governo Federal, podendo, assim, ser dado início às respectivas obras." - Jorge Zarur - Prefeito Sanitário.
O empreendimento contou também com o apoio do Interventor Federal em São Paulo, Fernando Costa, que pelo Decreto nº 18-125/45 de 18/5/1.948 declarou de utilidade pública e veio a custear desapropriações que chegaram a três milhões, duzentos e trinta e três mil, setecentos e trinta e sete metros quadro de terra.
III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS
COMO MONALISA ou A MULHER REFLETINDO SOBRE SUA FOTO
Na última foto pode estar meu último "eu," um dos meus muitos "eus."
Por que eu sou esta da última foto e não a da primeira ou das centenas tremidas, inesperadas, profissionais, amadoras, escuras ou avermelhadas dos anos passados?
Por que eu não sou mais aquela da foto de 30, 20, 15 anos ou tantas décadas atrás?
Onde estará o bebê que fui, chorou, mamou, sorriu, engatinhou e andou trôpego e que ninguém conhece ou reconhece?
Então, todo aquele tempo nada fui, a não ser um bebê, um adolescente, uma jovem adulta, uma mãe emocionada em rostos mutantes?
Por que ninguém me conhece como fui, mas somente como estou?
Por que quase ninguém soube de mim até então?
Eu brinquei, cresci e um pouco me descobri. Mas, da vida lá fora e da intrincada complexidade do ser humano, nada soube na mesma velocidade.
Tive muitos rostos, corpos, mas somente os últimos me ligam a meu nome, como se congelado na memória de registros midiáticos e nos olhares noviços dos que há pouco vieram a habitar o mesmo universo e me olham curiosos, como a perguntar ou ignorar quem sou.
Sem feitos e nem fama, a honra de ser verbete de dicionário não haverei de ter.
A última foto deverá estar amarelecida e embaçada pelo tempo, em companhia de outras tantas.
Meu nome nem para a lápide irá, pois, cinzas, antes do pó, haverei de me tornar e ao vento e às águas do rio me dissiparei em insignificantes e invisíveis partículas.
Enquanto isso, a navegar nas águas e a voar aos ventos dos felizes eu estarei, até que a derradeira foto seja tirada!
IV) PENSAMENTO
Por que somos finitos? Por que essa finitude que nos contraria a vontade? Por que não uma eterna permanência que nos permita a correção dos desacertos, o aprimoramento das virtudes e o gozo de uma vida plena de realizações e de elevado espírito? Por que não?




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