Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. augudias@gmail.com
I) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Em 1977, com a Lei nº 1.402 de 5 de outubro permitindo eleições livres para prefeito, São José dos Campos encerrou uma fase fortemente distintiva da sua existência.
São José dos Campos deixava, definitivamente, de ser uma estância climatérica e uma conveniente estância hidromineral, o que não havia deixado de lhe trazer inúmeros benefícios, principalmente entre 1935 e 1958, mas com a nova lei, seus cidadãos poderiam agora exercer o direito de gerir seus destinos, fazendo suas próprias escolhas políticas, bem maior dentro de uma democracia, uma cláusula pétrea na constituição de um estado de direito.
Encerrava-se assim um rico período onde predominaram a tuberculose com seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.
O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu." São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.
Mesmo quando foi declarada Área de Segurança Nacional (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969) pelo Governo Militar, não podendo eleger seu prefeito, São José dos Campos deu um salto para o futuro com uma política administrativa e financeira inovadora e globalizante, "abrindo suas portas para o mundo."
Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passavam a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço que se paga pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem alma," "sem rosto."
Mercê de suas políticas públicas inovadoras desde 1920, que implantaram e ampliaram seu equipamento público e diversificaram seus meios de produção, São José dos Campos abriga a possibilidade de um futuro de mais bem-estar, oportunidades e progresso para as gerações atuais e para as futuras, cujo destino é escrito pelo hoje das ações das suas administrações públicas, entidades privadas e da sua miscigenada população, não importando de que recanto do nosso país ou de que parte do mundo ela tenha vindo.
Multicultural e multifacetada, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.
São José dos Campos tem um inexorável e formidável destino e o desejo é de que essa trilha a leve a ser uma cidade com qualidade de vida na conformidade com os mais elevados padrões preconizados pela Organização das Nações Unidas, uma cidade-referência, o que pode significar enxergar o hoje com os olhos de daqui a 50 anos e implantar esse amanhã, hoje!
A Lei nº 140 de 23/10/1923, assinada pelo Prefeito Municipal Tenente-Coronel João Alves da Silva Cursino, fixou o orçamento para o exercício de 1924 para a construção do Paço Municipal, na Praça Afonso Pena, 1. O prédio foi inaugurado no dia 11 de abril de 1927. Mas, no dia 30/11/1929 o mesmo prefeito, pela Lei nº 217, fez a doação do prédio para a Escola Normal Livre, criada recentemente.
II) COMENTÁRIO
A REVOLUÇÃO DA INTERNET
+ Com a internet, "todo mundo" tem opinião e um "púlpito" para expressá-la, por mais desconexa, sem bom senso e ultrajante que seja. Pedidos de desculpas por ter "falado" demais pululam em meio a reações indignadas e ações na justiça, movidas por "famosos" e "anônimos."
+ É visível, sem precisar recorrer a dados de órgãos públicos encarregados, o aumento do número de veículos que circulam por ruas e avenidas, principalmente pelo magnífico Anel Viário (Sistema Viário Sérgio Sobral de Oliveira) e, que tem como agravante, motoristas apressados, impacientes e irritadiços. Nas auto-escolas aprende-se o controlar o carro e a se preparar para o temível exame de "baliza," mas não se ensina lhaneza, respeito humano e a observância do Código Nacional de Trânsito.
+ Impressiona a quantidade de pequenos mercados e supermercados de rede, assim como de elevado padrão, espalhados pela cidade, principalmente pelo Parque Residencial Aquarius. Entretanto, enquanto isso o Mercado Municipal, no centro geográfico da cidade, mantém seu movimento e sua majestade.
III) SOBRE LIVROS E PODER
1822
O livro do jornalista e escritor Laurentino Gomes 1822 da Editora Nova Fronteira, descreve os tempos da Independência do Brasil e retrata, mais realisticamente, a natureza daqueles que compunham o povo brasileiro, principalmente, aqueles que lidavam com os bastidores do poder.
A Independência do Brasil não aconteceu de forma pacífica naqueles tempos de escravidão, uma história acontecida pouco mais de 300 anos após o Descobrimento.
OS ROMANOV 1613- 1918
Em Os Romanov 1613-1918, Editora Cia. das Letras, do historiador, filósofo e professor inglês Simon Sebag Montefiore, é contada a história de mais de 300 anos da dinastia que mais influenciou na construção da Rússia de hoje. Os Romanov foram tirados do poder pela Revolução de 1917.
Em ambas as histórias, não fazendo uma analogia pura e simples, estão presentes os eternos componentes do mundo do poder: tramas, intrigas, assassinatos, interesses pessoais, interesses de grupos econômicos, paixões e algum empenho pelo bem do povo.
Em ambas as narrativas estão presentes histórias de amor, casamentos por conveniência, traições de todos os tipos e soberba, onde o poder é a prevalente engrenagem em torno da qual tudo gira, e como ele, o poder, pode distorcer a personalidade dos seus detentores.
Alguns séculos são passados e apesar dos avanços civilizatórios, o mundo do poder ainda tem vários daqueles ingredientes, aos quais se somaram outros inerentes aos tempos hodiernos, pois, seus agentes são homens, com suas virtudes e fraquezas!
IV) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS
NAU SEM RUMO
Vive o solipsismo das suas próprias escolhas,
sem ninguém para divergir,
nem para concordar,
nos infinitos momentos de si própria.
Em conversa muda,
na apatia da sua alma,
muitas vezes ausente,
o injusto opróbrio das esquecidas alegrias,
das trocas mais íntimas experimentadas em profusão,
em tempos de relações humanas não enviesadas.
Vive como um grande navegador sem bússola,
que se guia pelo dia e pela noite,
na esperança de que,
numa manhã de amarelado nascer do sol,
à sua frente, surja terra firme!
V) PENSAMENTO
O tempo embaça a memória e modera o espírito.






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