Saturday, April 8, 2017

                                                       


Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.

augudias@gmail.com


I) COTIDIANO

    SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: SEU HOJE, SEU AMANHÃ

                                        
         São José dos Campos era um cidade horizontal até a década de 1960. - Centro e banhado

Com a Lei nº 1.402 de 5/10/1977 permitindo eleições livres para prefeito, São José dos Campos encerrou uma fase distintiva da sua vida.
São José dos Campos, definitivamente, deixava de ser uma "conveniente" estância climatérica e hidromineral, o que não havia deixado de lhe trazer inúmeros benefícios, principalmente entre 1935 e 1958, mas seus cidadãos poderiam agora exercer o direito de gerir seus destinos, fazendo suas próprias escolhas, bem maior dentro de uma democracia.
Encerrava-se assim, um rico período histórico onde predominaram a tuberculose com os seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.
O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu."
São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.
Mesmo quando foi declarada área de segurança nacional, no período da ditadura militar, não podendo mais eleger seu prefeito, São José dos Campos, com o prefeito-interventor, deu um salto para o futuro com uma política administrativa inovadora e globalizante, "abrindo as portas para o mundo."
Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço que se paga pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem alma," "sem rosto."
Mercê de suas políticas públicas inovadoras, desde 1920, que implantaram e ampliaram seu equipamento público e diversificaram seus meios de produção, São José dos Campos abriga a possibilidade de um futuro de mais bem-estar, oportunidades e progresso para as gerações atuais e para as futuras, cujo destino é escrito pelo hoje das ações das suas administrações, entidades privadas e da sua miscigenada população, não importando de que recanto do nosso país ou de qualquer parte do mundo ela tenha vindo.
Multicultural e multifacetada, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.
São José dos Campos tem um inexorável grande destino e o desejo é de que essa trilha a leve a ser uma cidade com a mesma qualidade de vida de algumas cidades do mundo ocidental, na conformidade dos mais altos padrões preconizados pela Organização das Nações Unidas, uma cidade-referência, o que significa enxergar o hoje com os olhos de daqui a 50 anos e implantar o amanhã, hoje!

                                        

São José dos Campos começou a ser uma cidade vertical, rapidamente, à partir de 1970. - centro e banhado


II) COMENTÁRIO

      VÁCUO DE ESTADISTAS

Há sempre um vácuo entre os ideais e as ideias proferidas na luta pelo poder e o germe inato do idealismo e da condição de estadista.
O candidato comum a homem público, ao ser eleito e assumir seu cargo, se torna inebriado pelo poder, um afrodisíaco que lhe rende notoriedade, facilidades e reverências.
O estadista, joia rara e - portanto - preciosa, defende teses, princípios e luta para diminuir ou acabar com desigualdades e injustiças e construir um futuro melhor.
Líder de dentro para fora, ele não se deixa atingir pelas fraquezas e se diferencia dos milhares de homens cordiais à sua volta, aqueles descritos por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra Raízes do Brasil, de 1.936, que desde tempos coloniais, quando detentores de posição pública não distinguiam entre o público e o privado, sendo os amigos e apoiadores, como uma família, com todos os seus usos, favores e apoiamentos pessoais, mas usando o patrimônio publico, o qual não lhes pertence - portanto - em benefício próprio.
O vácuo de estadistas, esse espaço real pouco ocupado, atrasa a evolução e a melhoria de vida de gerações de habitantes de qualquer nação, em nome dos quais e para os quais os mandatos devem ser exercidos, no dizer idealizado por Abraham Lincoln, princípio esse determinado e adotado pela Constituição das nações livres.


III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

       O FEL E O MEL

As palavras podem ser o fel ou o mel. Seu manuseio, mais que uma questão de uso correto de regras gramaticais, sempre tropeça nos ressentimentos, nos desejos não satisfeitos, nos sonhos não alcançados e nas frustrações fruto das fragilidades da têmpera e do primitivismo atávico de cada um.
Usar as palavras como mel, para gentilezas, elogios, carinho, amor e boa vontade, parece tarefa tão árdua quanto escalar uma montanha gelada de camiseta, calção e sem guia, enquanto usar as palavras como fel, em todas as suas nuanças, parece ser algo tão óbvio e natural quanto respirar.
Entre o mel  e o meio caminho na parcimônia das palavras, opta-se pelo fel, nos círculos sociais, profissionais e aos microfones.
É a face predominante do homem, em tempos globais mais tensos e de comunicação instantânea, sempre pronto para julgar os outros, com pressa, sem leis, sem tribunais e sem bom senso!


IV) ACADEMIA DE LETRAS

Foi aberto o Edital para registro de candidatura de escritores que desejem ocupar uma das cinco cadeiras vagas na Academia Joseense de Letras. O prazo se encerrará no dia 30 de abril próximo.
Contato: hegiana@gmail.com


V) TÚNEL DO TEMPO

                           

        JULIE ANDREWS, A NOVIÇA REBELDE

                                       


Julie Andrews, 81, estrelou o musical a Noviça Rebelde, ganhador do Oscar e que retrata o final da década de 1.930, na Áustria, quando o pesadelo nazista estava prestes a ser instalado no país.
O filme é baseado na história real do capitão Georg Von Trapp, que tinha 7 filhos cantores e não aceitava o domínio nazista.

                                           
         Julie Andrews como Maria em The Sound of Music, a Noviça Rebelde, filme de 1.965

Hoje, avó e bisavó, Julie Andrews já ganhou os prêmios Oscar, Golden Globe, Grammy, a Ordem do Império Britânico, da Rainha Elizabeth II, e ocupa a 59º posição como uma das 100 maiores personalidades britânicas de todos os tempos.
Cantora, bailarina e atriz, atua regularmente em filmes, televisão e teatro.
O tempo, o talento, a têmpera e o bom humor são seus aliados na sua longevidade pessoal e artística.

                                        

                                                              Julie Andrews em foto recente.


VI) PENSAMENTO

                           

Toda glória é efêmera. A verdadeira grandeza reside em ser, fazer e construir. A glória é apenas o fugaz brilho que não se pode tocar, nem guardar, tão volátil que é.




        

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