Este blog é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
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I) COTIDIANO
O CENTRO DA CIDADE
Até o final dos anos 1960, o coração de São José dos Campos era seu centro. Tudo acontecia desde a Praça da Matriz, descendo a Rua XV de Novembro até a Praça Afonso Pena.
A Rua XV de Novembro abrigava os clubes sociais, a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, comícios, desfiles cívicos, desfiles de carnaval, o footing e outras manifestações importantes.
Isso começou a mudar à partir dos anos 1970, com uma administração , embora nomeada pelo regime militar então vigente, foi inovadora e progressista.
Sob forte protesto dos comerciantes instalados no centro, que acreditavam que iriam perder seus negócios, a nova administração planejou a expansão para a região da Vila Ady-Ana.
Ninguém foi à falência e o novo planejamento administrativo veio a ampliar as possibilidades de negócios e o centro - até os dias de hoje - abriga várias agências bancárias e tem um vibrante comércio com grande movimento de compradores e capacidade de geração de empregos. Além disso, mantém a tradição do Mercado Municipal, o primeiro shopping de São José dos Campos. Tudo isso, de dia. À noite - entretanto - tudo muda!
Como em muitas cidades do mundo, há pouco movimento, frequência suspeita e insegurança.
As administrações públicas têm buscado, apresentado e executado obras e apresentado propostas de atividades, restaurando prédios históricos, rejuvenescendo prédios comerciais e ordenando o uso do solo.
Mas, parece que o destino do centro da cidade, mesmo com melhorias, será como muitos centros de origem de cidades pelo mundo, à exceção das grandes cidades com grande apelo turístico: comércio vibrante durante o dia e pouca luz, poucos atrativos e muita insegurança à noite.
As intervenções, entretanto e portanto, sempre haverão de conferir ao centro da cidade a importância e a realeza perdida ao longo dos séculos!
A Praça da Matriz, Praça Cônego João Guimarães, o centro onde São José dos Campos começou. (Foto: Arquivo Público do Município)
II) COMENTÁRIO
O MUNDO DA POLÍTICA
A vida na política, muito frequentemente, não tem um lineamento lógico, ético e humanista, onde fazer o bem para a coletividade seja o grande ideal a ser alcançado.
A política é uma enorme rede de interesses, pressões, desgastes,alianças de ideologias desconexas e de ocasião, palavreado duro à vista de terceiros e conciliador nos recônditos dos necessários entendimentos, de inimizade mortal um dia e fraternidade universal no outro.
Políticos podem - involuntariamente - provocar a intranquilidade da sua família, perder a saúde, os "amigos" e o patrimônio, na busca e manutenção do poder, que é - frequentemente - temporário, mas poderoso afrodisíaco.
Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu - (1689-1755), considerado um homem calmo, honesto e bom, estabeleceu a tripartição de poderes (executivo, legislativo e judiciário), inimigo do despotismo que era.
Niccolò Maquiavel (1469-1527) viveu em Florença, ao tempo de César Bórgia e do Papa Júlio II, o corpo a corpo com a conflituosa realidade político-administrativa, descrevendo os homens de carne e osso, falíveis, guiados por desejos e ambições, capazes de vinganças terríveis e com uma sede insaciável de poder.
Em O Príncipe, escrito em 1513, disse que "Em política só se deve ter em mente os fins a atingir, sem se deixar dominar por preconceitos de ordem moral."
A vida na política é um gigantesco labirinto de contradições onde convivem idealistas e interesseiros, onde poucos conseguem sobreviver incólumes dentro de seus turbulentos territórios.
A vida na política não é para sonhadores ou poetas!
III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS
OS GRILHÕES DA JUVENTUDE
Segurou seu cartão com o qual recebia a sua aposentadoria, à frente dos olhos como a não se conformar com a jovem que não era mais.
Tinha dificuldade para dizer a si mesma, no impertinente silêncio do seu solipsismo, onde ninguém a vê, ouve ou diverge, a idade que tinha.
Recusava-se a ter artrose, a ser aposentada e a admitir que se esquecia de coisas simplórias com facilidade e quando era chamada de senhora, que não lhe parecia sinal de respeito, mas sim porque ela era idosa.
Achava-se jovem de espírito, o que era, como se isso fosse impeditivo para as rugas, os cabelos brancos, a limitada mobilidade física, as constantes idas e vindas aos médicos, a pressão alta e a dieta restritiva.
Lamentava-se que ninguém a olhava com desejo, esquecendo-se que o jovem e o belo têm sua estética contemplada por um determinado tempo, porque tudo tem seu tempo.
A contemplação, com o passar do tempo, muda, o olhar muda, mas a pintura de Da Vinci é sempre a mesma.
Ela sonha encontrar a fonte da juventude, como o espanhol Ponce de León a teria encontrado no século XVI.
Quem é jovem não percebe o tempo nem o significado da juventude, pois, vive esse sonho e acredita que ele será eterno, como o mundo à sua frente que pretende conquistar.
Mas, tal qual o vento, a juventude é muito rápida e não se pode prendê-la.
Entender a vida como ela é nos seus diferentes momentos e fases é a difícil equação que a ampla maioria dos homens tem dificuldade para resolver.
Sabedoria é resolver essa equação com os tesouros do discernimento e da maturidade dentro de si e viver seu nirvana!
IV) TÚNEL DO TEMPO
O PODEROSO CHEFÃO
1972
The Godfather
Lançado em 1972, O Poderoso Chefão é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos e o número 1 da trilogia, está sempre entre os 10 primeiros títulos de qualquer lista.
Recentemente, no Festival de Cinema de Tribeca, realizado em New York, houve uma reunião dos principais atores do elenco, à exceção de Marlon Brando, já falecido. Todos eles continuam a atuar, mas nem sempre em filmes tão marcantes como foi O Poderoso Chefão.
V) PENSAMENTO
Viver é um contínuo exercício de racionalidade e sensibilidade, num caminhar de mãos dadas, onde as escolhas simples, de difícil percepção, de tão óbvias, são os tesouros que raramente se encontra.





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