Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
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I) COTIDIANO
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - O PEDESTRE
O sinal é sempre vermelho para o pedestre, em meio ao pouco civilizado comportamento de motoristas impacientes, apressados e "donos das ruas," proprietários do espaço público sem qualquer escritura lavrada em cartório, pouco importando as normas do Código de Trânsito Brasileiro.
A cultura do mais "forte" - daquele que tem como sua a pretensa blindagem do seu veículo sobre a fragilidade do ser humano à sua frente - o faz esquecer os mais elementares ditames do respeito humano.
Um ônibus - seu motorista - no trânsito, tem uma postura mais agressiva que um caminhão pequeno e tomará seu espaço, enquanto esse último fará manobras tão ousadas quanto aquele quando o espaço a ser ocupado à frente for um carro de passeio. Esse último, por sua vez, não hesitará em ocupar um espaço que não é seu, quando estiver a disputá-lo com uma motocicleta e muito menos ainda com uma bicicleta.
Na ponta do "invasivo" processo está o hipossuficiente pedestre, o elemento mais frágil nas andanças e travessias, o elemento mais frágil na trilogia trânsito - veículos - vida humana.
São José dos Campos é uma cidade que "esticou."
O quadrilátero no planalto que constituiu o centro da cidade por quase 2 séculos e toda sua vida política e social até então, a começar pela Praça da Matriz, estendendo-se a poucas quadras no seu entorno, avançou - desde os anos 1.960 e, mais fortemente, a partir dos anos 1.970, principalmente paras as zonas sul, oeste e leste e - um pouco menos - para a zona norte.
Tudo é mais longe. Aumentou a presença do transporte coletivo público, que longe do ideal, deixa usuários à sua espera e os transporta em condições nem sempre as mais salutares, muitas vezes fazendo trajetos de pé em ônibus lotados, com desconforto e risco à integridade física.
Com o anel viário, uma das mais magníficas obras das administrações públicas de São José dos Campos, mudou-se a dicotomia, o conceito rua/calçadas.
O cidadão depende de um meio de transporte para ir de um lado a outro da cidade, quer seja público ou privado, mas ao contrário de muitas cidades do primeiro mundo, não temos ainda metrô de superfície, nem uma malha ampla e segura de ciclovias e - principalmente - não temos a cultura de respeito pela segurança e vida do ser humano.
Ocupa o espaço o que primeiro chegar, numa disputa surda e inconsequente.
Num antigo desenho dos Estúdios Disney, o personagem Pateta, pessoa pacata, simplória e generosa, se transformava num agressivo, impaciente e intolerante motorista quando ao volante do seu veículo.
Transformar esses motoristas, existente em grande quantidade em nossas vias públicas, em cidadãos conscientes e responsáveis, seria a missão quase impossível a ser cumprida pelas administrações públicas, com educação desde o ensino elementar nas escolas públicas e privadas, passando por programas - ad eternum - para adultos, desde as auto escolas, nas mensagens no dia a dia na malha viária e na aplicação das normas de trânsito através da fiscalização física e por câmeras.
São José dos Campos é uma cidade cuja história se diferencia da vasta maioria dos municípios brasileiros, com suas indústrias de grande porte, diversificado sistema educacional, com ampla prestação de serviços e com tecnologia aeronáutica de ponta.
É muita coisa para uma cidade que se transformou de pequena e provinciana, a metrópole em menos de 50 anos.
São José dos Campos precisa encontrar seu diferencial no espaço público que todos utilizam.
São José dos Campos precisa encontrar seu diferencial humano, sua alma, o elo que a une aos melhores valores do respeito e da convivência humana no espaço público!
II) COMENTÁRIO
POLÍTICA - SEUS BASTIDORES
Mais de trezentos anos depois, as lições do Cardeal Jules Mazarin ainda são atuais.
Lemos ou vemos as notícias sobre os acontecimentos políticos em todos os níveis em que eles - representados pelos atores políticos escolhidos pelos cidadãos - gerenciam cidades e nações.
Delas, as notícias, tiramos nosso entendimento de longe e formamos nosso juízo, que em nossa opinião, são de toda justeza, mas - geralmente - frágeis e emocionais devido à insuficiência de dados ou pelo consolidado posicionamento político de cada um.
Mas, o que nos é apresentado é o que realmente se passou ou se passa nos bastidores? Quais os propósitos, as conveniências e os interesses?
O Breviário para Políticos, escrito pelo Cardeal Jules Mazarin (1602-1661), primeiro-ministro que sucedeu ao Cardeal Richelieu (1585-1642), aquele mesmo que nas diversas versões do filme Os Três Mosqueteiros, extraído da obra de Alexandre Dumas, onde aparece como o homem mais poderoso e gênio malvado da política na França ao tempo do Rei Luiz XIII, mostra que o homem que detém o poder ou luta por ele, jamais deve exprimir qualquer sentimento pessoal ou particular sobre o que acontece nos bastidores.
O livro mostra a teatralidade das relações políticas, os arranjos - com bons propósitos ou não - as tramas ou intrigas que se desenvolvem nos bastidores, as quais o público desconhece e das quais - geralmente - jamais virá a saber.
Segredos, inteligência política, prudência verbal, amizade fraternal um dia e ódio figadal no outro, vingança, verdade, delação, dissimulação, confiança, desconfiança, interesse pessoal ou desejo sincero de fazer o bem comum são os elementos básicos da atuação nos bastidores.
Enquanto isso, a plateia, ávida e necessitada de uma grande performance, aguarda - ansiosamente, que o interesse de todos, a melhora na qualidade de vida e o bem de um povo subam ao palco e recebam - ao final - mercê de sua grande atuação, uma grande ovação!
III) HISTÓRIA
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
O INÍCIO DOS ANOS 1.970
Anos 1.940 - Tempo em que São José dos Campos ainda era muito pequena e a rua servia tanto para o pedestre como para os poucos veículos e mal sabia da transformação que viria a sofrer poucas décadas depois. Na foto, a Praça Afonso Pena com o prédio do Fórum e depois da antiga Coletoria Estadual, e mais ao fundo, o antigo prédio do Grupo Escolas Olympio Catão. (Arquivo Público do Município - FCCR).
O intenso crescimento populacional registrado nas décadas de 50/60 (5,56%), 60/70 (6,77%) e 70/80 (6,82%) "deveu-se fundamentalmente a 2 fatores: ao grande número de migrantes atraídos pela industrialização e à alta taxa de fecundidade presente na cidade nessas décadas." (São José dos Campos em Dados - 2004 - Informações sobre a cidade de São José dos Campos - Secretaria do Planejamento da Prefeitura Municipal de São José dos Campos).
No início da década de 1970, o país continuava a viver sob a égide do governo militar que se iniciara em 1.964. Era o tempo do milagre econômico, do tricampeonato de futebol no México, das altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto e do Brasil do Ame-o ou Deixe-o.
O governo militar viria alterar a ordem política em São José dos Campos e pela Lei Orgânica dos Municípios (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969), a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional e o Governador do Estado, Abreu Sodré, nomeou prefeito-interventor o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que - portanto - não viria a concluir seu mandato.
A cidade cresceu de forma impressionante e se modernizou.
"São José dos Campos acompanha os passos do gigante."....."A cidade passou a ser o centro comercial do Vale do Paraíba, do sul de Minas e do litoral norte." (Depoimentos do prefeito-interventor Sérgio Sobral de Oliveira prestados ao autor deste BLOG em 24/11/1989.)
IV) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS
O INCONTROLÁVEL TEMPO
Um dos maiores bens que temos e um dos mais olvidados é o tempo. Dele pouco nos ocupamos, a não ser para falar das questões climáticas ou que a vida passa muito rapidamente.
Incorporado às nossas vidas desde o nascimento, o olvidamos durante longos períodos de sono ou desalentada dormência.
Medido pelo sol, fogo, ampulheta, pelas teorias de Isaac Newton ou Albert Einstein, pelo calendário egípcio, babilônico, grego, juliano, gregoriano ou por precisas máquinas, o tempo é - no entanto - pouco preciso quando os sentidos e sentimentos precisam da sua exatidão. Nada pode ser então medido.
Apesar da medida universal, ele pode ser penosamente longo ou por demais breve, sujeito que é às intempéries e ditames da ansiedade e da emoção; às aflições à espera do amor que se quer seja correspondido ou pela descoberta do erro cometido e passível - portanto - de reprimenda.
O tempo, tão controlado na sua métrica, é incontrolável na alma humana!
V) PENSAMENTO
Há pessoas que querem ser livres para si próprias, mas que - todo o tempo - aprisionam os que estão à sua volta, submetendo-as às suas mais bizarras vontades, à sua impaciência, ao seu amor egoísta, à sua falta de modos e ao seu fustigante autoritarismo.






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