Friday, May 5, 2017


                                       

Este blog é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
augudias@gmail.com



I) COTIDIANO
     O CENTRO DA CIDADE


Até o final dos anos 1960, o coração de São José dos Campos era seu centro. Tudo acontecia desde a Praça da Matriz, descendo a Rua XV de Novembro até a Praça Afonso Pena.
A Rua XV de Novembro abrigava os clubes sociais, a Prefeitura Municipal, Câmara Municipal, comícios, desfiles cívicos, desfiles de carnaval, o footing e outras manifestações importantes.
Isso começou a mudar à partir dos anos 1970, com uma administração , embora nomeada pelo regime militar então vigente, foi inovadora e progressista.
Sob forte protesto dos comerciantes instalados no centro, que acreditavam que iriam perder seus negócios, a nova administração planejou a expansão para a região da Vila Ady-Ana. 
Ninguém foi à falência e o novo planejamento administrativo veio a ampliar as possibilidades de negócios e o centro - até os dias de hoje - abriga várias agências bancárias  e tem um vibrante comércio com grande movimento de compradores e capacidade de geração de empregos. Além disso, mantém a tradição do Mercado Municipal, o primeiro shopping de São José dos Campos. Tudo isso, de dia. À noite - entretanto - tudo muda!
Como em muitas cidades do mundo, há pouco movimento, frequência suspeita e insegurança.
As administrações públicas têm buscado, apresentado e executado obras e apresentado propostas de atividades, restaurando prédios históricos, rejuvenescendo prédios comerciais e ordenando o uso do solo. 
Mas, parece que o destino do centro da cidade, mesmo com melhorias, será como muitos centros de origem de cidades pelo mundo, à exceção das grandes cidades com grande apelo turístico: comércio vibrante durante o dia e pouca luz, poucos atrativos e muita insegurança à noite.
As intervenções, entretanto e portanto, sempre haverão de conferir ao centro da cidade a importância e a realeza perdida ao longo dos séculos!

                                       

A Praça da Matriz, Praça Cônego João Guimarães, o centro onde São José dos Campos começou. (Foto: Arquivo Público do Município)


II) COMENTÁRIO

      O MUNDO DA POLÍTICA

A vida na política, muito frequentemente, não tem um lineamento lógico, ético e humanista, onde fazer o bem para a coletividade seja o grande ideal a ser alcançado.
A política é uma enorme rede de interesses, pressões, desgastes,alianças de ideologias desconexas e de ocasião, palavreado duro à vista de terceiros e conciliador nos recônditos dos necessários entendimentos, de inimizade mortal um dia e fraternidade universal no outro.
Políticos podem - involuntariamente - provocar a intranquilidade da sua família, perder a saúde, os "amigos" e o patrimônio, na busca e manutenção do poder, que é - frequentemente - temporário, mas poderoso afrodisíaco.
Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu - (1689-1755), considerado um homem calmo, honesto e bom, estabeleceu a tripartição de poderes (executivo, legislativo e judiciário), inimigo do despotismo que era.
Niccolò Maquiavel (1469-1527) viveu em Florença, ao tempo de César Bórgia e do Papa Júlio II, o corpo a corpo com a conflituosa realidade político-administrativa, descrevendo os homens de carne e osso, falíveis, guiados por desejos e ambições, capazes de vinganças terríveis e com uma sede insaciável de poder.
Em O Príncipe, escrito em 1513, disse que "Em política só se deve ter em mente os fins a atingir, sem se deixar dominar por preconceitos de ordem moral."
A vida na política é um gigantesco labirinto de contradições onde convivem idealistas e interesseiros, onde poucos conseguem sobreviver incólumes dentro de seus turbulentos territórios.
A vida na política não é para sonhadores ou poetas!



III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

        OS GRILHÕES DA JUVENTUDE

Segurou seu cartão com o qual recebia a sua aposentadoria, à frente dos olhos como a não se conformar com a jovem que não era mais.
Tinha dificuldade para dizer a si mesma, no impertinente silêncio do seu solipsismo, onde ninguém a vê, ouve ou diverge, a idade que tinha.
Recusava-se a ter artrose, a ser aposentada e a admitir que se esquecia de coisas simplórias com facilidade e quando era chamada de senhora, que não lhe parecia sinal de respeito, mas sim porque ela era idosa.
Achava-se jovem de espírito, o que era, como se isso fosse impeditivo para as rugas, os cabelos brancos, a limitada mobilidade física, as constantes idas e vindas aos médicos, a pressão alta e a dieta restritiva.
Lamentava-se que ninguém a olhava com desejo, esquecendo-se que o jovem e o belo têm sua estética contemplada por um determinado tempo, porque tudo tem seu tempo.
A contemplação, com o passar do tempo, muda, o olhar muda, mas a pintura de Da Vinci é sempre a mesma.
Ela sonha encontrar a fonte da juventude, como o espanhol Ponce de León a teria encontrado no século XVI.
Quem é jovem não percebe o tempo nem o significado da juventude, pois, vive esse sonho e acredita que ele será eterno, como o mundo à sua frente que pretende conquistar. 
Mas, tal qual o vento, a juventude é muito rápida e não se pode prendê-la.
Entender a vida como ela é nos seus diferentes momentos e fases é a difícil equação que a ampla maioria dos homens tem dificuldade para resolver.
Sabedoria é resolver essa equação com os tesouros do discernimento e da  maturidade dentro de si e viver seu nirvana!


IV) TÚNEL DO TEMPO

                                      



              O PODEROSO CHEFÃO
               1972
              The Godfather

Lançado em 1972, O Poderoso Chefão é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos e o número 1 da trilogia, está sempre entre os 10 primeiros títulos de qualquer lista.

                                               

Recentemente, no Festival de Cinema de Tribeca, realizado em New York, houve uma reunião dos principais atores do elenco, à exceção de Marlon Brando, já falecido. Todos eles continuam a atuar, mas nem sempre em filmes tão marcantes como foi O Poderoso Chefão.

                                               

Diane Keaton, Robert De Niro, Robert Duvall, Francis Ford Copolla, James Caan, Al Pacino, Talia Shire, 45 anos depois de O Poderoso Chefão I.


V) PENSAMENTO

Viver é um contínuo exercício de racionalidade e sensibilidade, num caminhar de mãos dadas, onde as escolhas simples, de difícil percepção, de tão óbvias, são os tesouros que raramente se encontra.    
























      


           

Saturday, April 8, 2017

                                                       


Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, é titular da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.

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I) COTIDIANO

    SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: SEU HOJE, SEU AMANHÃ

                                        
         São José dos Campos era um cidade horizontal até a década de 1960. - Centro e banhado

Com a Lei nº 1.402 de 5/10/1977 permitindo eleições livres para prefeito, São José dos Campos encerrou uma fase distintiva da sua vida.
São José dos Campos, definitivamente, deixava de ser uma "conveniente" estância climatérica e hidromineral, o que não havia deixado de lhe trazer inúmeros benefícios, principalmente entre 1935 e 1958, mas seus cidadãos poderiam agora exercer o direito de gerir seus destinos, fazendo suas próprias escolhas, bem maior dentro de uma democracia.
Encerrava-se assim, um rico período histórico onde predominaram a tuberculose com os seus "medos" na vida social e sua influência econômica nos negócios públicos e privados, estabelecendo também uma arquitetura personalizada que tem sua marca física e significância histórica até os tempos hodiernos.
O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no município, usufruindo da implantação do C.T.A. e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu."
São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.
Mesmo quando foi declarada área de segurança nacional, no período da ditadura militar, não podendo mais eleger seu prefeito, São José dos Campos, com o prefeito-interventor, deu um salto para o futuro com uma política administrativa inovadora e globalizante, "abrindo as portas para o mundo."
Entretanto, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço que se paga pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga sem fronteiras, mas também "sem alma," "sem rosto."
Mercê de suas políticas públicas inovadoras, desde 1920, que implantaram e ampliaram seu equipamento público e diversificaram seus meios de produção, São José dos Campos abriga a possibilidade de um futuro de mais bem-estar, oportunidades e progresso para as gerações atuais e para as futuras, cujo destino é escrito pelo hoje das ações das suas administrações, entidades privadas e da sua miscigenada população, não importando de que recanto do nosso país ou de qualquer parte do mundo ela tenha vindo.
Multicultural e multifacetada, São José dos Campos ainda tem uma longa e diversificada história a ser vivida e escrita.
São José dos Campos tem um inexorável grande destino e o desejo é de que essa trilha a leve a ser uma cidade com a mesma qualidade de vida de algumas cidades do mundo ocidental, na conformidade dos mais altos padrões preconizados pela Organização das Nações Unidas, uma cidade-referência, o que significa enxergar o hoje com os olhos de daqui a 50 anos e implantar o amanhã, hoje!

                                        

São José dos Campos começou a ser uma cidade vertical, rapidamente, à partir de 1970. - centro e banhado


II) COMENTÁRIO

      VÁCUO DE ESTADISTAS

Há sempre um vácuo entre os ideais e as ideias proferidas na luta pelo poder e o germe inato do idealismo e da condição de estadista.
O candidato comum a homem público, ao ser eleito e assumir seu cargo, se torna inebriado pelo poder, um afrodisíaco que lhe rende notoriedade, facilidades e reverências.
O estadista, joia rara e - portanto - preciosa, defende teses, princípios e luta para diminuir ou acabar com desigualdades e injustiças e construir um futuro melhor.
Líder de dentro para fora, ele não se deixa atingir pelas fraquezas e se diferencia dos milhares de homens cordiais à sua volta, aqueles descritos por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra Raízes do Brasil, de 1.936, que desde tempos coloniais, quando detentores de posição pública não distinguiam entre o público e o privado, sendo os amigos e apoiadores, como uma família, com todos os seus usos, favores e apoiamentos pessoais, mas usando o patrimônio publico, o qual não lhes pertence - portanto - em benefício próprio.
O vácuo de estadistas, esse espaço real pouco ocupado, atrasa a evolução e a melhoria de vida de gerações de habitantes de qualquer nação, em nome dos quais e para os quais os mandatos devem ser exercidos, no dizer idealizado por Abraham Lincoln, princípio esse determinado e adotado pela Constituição das nações livres.


III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

       O FEL E O MEL

As palavras podem ser o fel ou o mel. Seu manuseio, mais que uma questão de uso correto de regras gramaticais, sempre tropeça nos ressentimentos, nos desejos não satisfeitos, nos sonhos não alcançados e nas frustrações fruto das fragilidades da têmpera e do primitivismo atávico de cada um.
Usar as palavras como mel, para gentilezas, elogios, carinho, amor e boa vontade, parece tarefa tão árdua quanto escalar uma montanha gelada de camiseta, calção e sem guia, enquanto usar as palavras como fel, em todas as suas nuanças, parece ser algo tão óbvio e natural quanto respirar.
Entre o mel  e o meio caminho na parcimônia das palavras, opta-se pelo fel, nos círculos sociais, profissionais e aos microfones.
É a face predominante do homem, em tempos globais mais tensos e de comunicação instantânea, sempre pronto para julgar os outros, com pressa, sem leis, sem tribunais e sem bom senso!


IV) ACADEMIA DE LETRAS

Foi aberto o Edital para registro de candidatura de escritores que desejem ocupar uma das cinco cadeiras vagas na Academia Joseense de Letras. O prazo se encerrará no dia 30 de abril próximo.
Contato: hegiana@gmail.com


V) TÚNEL DO TEMPO

                           

        JULIE ANDREWS, A NOVIÇA REBELDE

                                       


Julie Andrews, 81, estrelou o musical a Noviça Rebelde, ganhador do Oscar e que retrata o final da década de 1.930, na Áustria, quando o pesadelo nazista estava prestes a ser instalado no país.
O filme é baseado na história real do capitão Georg Von Trapp, que tinha 7 filhos cantores e não aceitava o domínio nazista.

                                           
         Julie Andrews como Maria em The Sound of Music, a Noviça Rebelde, filme de 1.965

Hoje, avó e bisavó, Julie Andrews já ganhou os prêmios Oscar, Golden Globe, Grammy, a Ordem do Império Britânico, da Rainha Elizabeth II, e ocupa a 59º posição como uma das 100 maiores personalidades britânicas de todos os tempos.
Cantora, bailarina e atriz, atua regularmente em filmes, televisão e teatro.
O tempo, o talento, a têmpera e o bom humor são seus aliados na sua longevidade pessoal e artística.

                                        

                                                              Julie Andrews em foto recente.


VI) PENSAMENTO

                           

Toda glória é efêmera. A verdadeira grandeza reside em ser, fazer e construir. A glória é apenas o fugaz brilho que não se pode tocar, nem guardar, tão volátil que é.




        

Saturday, March 25, 2017



             
                  
     
Este blog é editado pelo jornalista, advogado, professor e escritor Augusto Dias.
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I) COTIDIANO

     OS BANCOS DE ONTEM E OS DE HOJE

Havia um tempo em que se ia ao banco para se sacar dinheiro ou, simplesmente, para se verificar o saldo. O cliente tinha que ir até a agência para qualquer coisa. 
Era um tempo em que não havia acontecido ainda a revolução digital: não havia computadores - o primeiro foi o Uniac, de 1946 e logo depois, em 1951, surgiu o Univak I. Eles ocupavam uma enorme sala na Universidade da Pensilvânia e quase levaram a firma dos seus criadores à falência. O microprocessador Intel surgiria em 1971 e iria revolucionar o computador e o mundo.
O computador viria a ser acessível a todos, caber na palma da mão e falar com o mundo. Instantaneamente, "todo mundo" ficaria sabendo de tudo e teria opinião sobre tudo, com razoabilidade ou não.
Então, ia-se ao banco até para se verificar o saldo. Não havia filas. Havia amontoados de pessoas impacientes próximas ao balcão e tentando chegar ao atendente. Quem "empurrasse" melhor, ganhava a vez.
O saldo, tirado de armários lotados de fichas entortadas nas pontas devido ao manuseio, era passado para um pedaço de papel improvisado.
Não havia senha, portanto. Demora havia, ontem e hoje, só que agora de maneira mais organizada.
A internet revolucionou processos e costumes bancários, também.
O gerente era inacessível para o comum do povo. Era um "rei" sem descendência e coroa, mas com o poder de dizer sim ou não para um pedido de empréstimo. Era respeitado e seu nome era sabido no seio da sociedade. Era recebido com deferência em clubes e entidades.
Hoje, há muitos gerentes, todos "sem nome." Os empréstimos são preexistentes, via de regra, dependendo de o cliente desejá-lo ou não e de acordo com seu cadastro.
Hoje, o gerente não diz nem sim, nem não. Quem fala é o sistema financeiro aliado a sofisticados programas de computador.
Ontem ia-se falar com O gerente. Hoje fala-se com UM gerente.
Os bancos hoje, como muitos outros agentes públicos e privados, são impessoais. 
Antigamente eles eram todos de aparência cinzenta e sisuda. Hoje, são, alegremente, vermelhos, azuis ou amarelos, o que não lhes rouba o aspecto vetusto.
Num futuro muito próximo, não iremos mais aos bancos ou caixas eletrônicos para nada. Pode ser considerado um avanço. Faremos tudo de casa, distantes e impessoais, embora prático.
Contas e números. Seremos contas e números sem rosto. Bancos não pedem fotos. Ele não precisam saber quem somos, mas o que temos.
Seremos, cada vez mais, uma sociedade onde todos se relacionam por máquinas, mas que se desconhecem.
Seremos somente negócios, seremos somente interesses.
Seremos como um arquipélago: ilhas próximas uma das outras, de geografia parecida, mas sem se tocar, sem se conhecer e sem ternura!



II) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS

      O CONTROLE DO TEMPO

O tempo não nos pertence. Se pudéssemos retê-lo, o faríamos num momento de felicidade, saciando os sentidos e a alma e jamais teríamos que recorrer ao recôndito do olvidado baú de embaçadas memórias para nos alimentarmos de lembranças.
Se pudéssemos controlar o tempo, as alegrias e as emoções seriam imorredouras em todos os seus matizes e as tristezas e os aborrecimentos se desvaneceriam à velocidade da luz.
Se pudéssemos controlar o tempo, as novidades e os amores durariam todo seu tempo terreno, toda sua eternidade, não havendo tempo para a desesperança, o enfado, a mágoa e o inútil ódio.
Se o tempo nos pertencesse, então, poderíamos viver no eterno encantamento de um paraíso terrestre!



III) TÚNEL DO TEMPO 

                               


           007 - SEAN CONNERY - O 1º JAMES BOND

O ator Sean Connery, o 1º James Bond, aos 86 anos de idade, vive com sua esposa em Nassau, nas Bahamas. Está aposentado.

                                                 

Seu primeiro filme como 007 foi o icônico O Satânico Dr. No, lançado em 1962. O filme também foi marcante pela cena em que a atriz Ursula Andress sai do mar vestindo um pequeno - para aquele tempo - biquíni.

                                                                       

Sean Connery compareceu, recentemente, a uma partida de tênis, esporte que aprecia.

Sean Connery foi 007 de 1962 a 1983. No ano de 2000 ele recebeu da Rainha Elizabeth II da Grã Bretanha o título de sir.
O tempo passa, o homem passa, mas fica sua obra!


IV) PENSAMENTO

                                    

O poder do espírito serve os otimistas, religiosos, esperançosos e filósofos, enquanto, na sua avidez, o transcendente poder do dinheiro seduz homens e fragiliza princípios.

Sunday, March 5, 2017


Este blog é editado pelo escritor, jornalista, advogado e professor Augusto Dias, ocupante da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.       augudias@gmail.com

                                           


I) COTIDIANO

    A MUDEZ NA FALA

Havia um tempo em que as cadeiras eram colocadas nas calçadas, as famílias "jogavam conversa fora," as crianças brincavam na rua quando a televisão ainda não era "o membro mais falante" da família.
Ter um telefone era um sonho caro e não muito fácil de se conseguir devido à exiguidade da rede telefônica. Quando ele se tornou mais acessível, se transformou no sonho real dos jovens que "ficavam horas" conversando com amigos e namorados para desespero dos pais, que pagavam as contas.
Hoje o telefone fixo é recebido com reservas pelos consumidores em pacotes de provedoras de internet.
O celular, em suas variações, é a "voz" que não se ouve e transformou a comunicação num ágil e eficaz escrever de textos, com alquebrado rigor gramatical.
A emoção da voz foi substituída pelos textos num comunicativo mutismo.
Haverá um futuro em que pouco leremos, pouco nos falaremos, pouco nos veremos, pouco nos amaremos, pouco nos importaremos, distantes de cada um que estaremos, como no premonitório A Máquina do tempo de H.H. Wells.
Assim caminha a humanidade, no ágil e inexorável avanço das ciências e das tecnologias e no vagar do desenvolvimento das relações humanas.


II) CRÔNICAS, CONTOS E DEMAIS

      SOLILÓQUIO

Seu solipcismo é o abrigo de si mesmo,
sua polis,
sua fortaleza e sua fraqueza.
Vive em monólogo perpétuo
no negrume das fugidias relações humanas.
Eremita sem causa, 
no ostracismo,
sepulto em vida,
sem fortunas, sem honrarias.
Náusea,
como Antonio Roquentin, de Sartre,
sozinho,
sem amigos,
sem amor, nada lhe importando, 
nem ele mesmo.
Monólogo da desesperança.
Lá fora,
o sol,
a esperança, 
o amor e a vida que não cessam.
Ele, no entanto, no débil abrigo de si mesmo!



III) HISTÓRIA

       1958

                          


Décadas de 1950/1960 - Rua XV de Novembro, a principal avenida da pequena São José dos Campos.

Em 1.958 o coração de São José dos Campos era a Rua XV de Novembro, a mais importante avenida da sua malha viária, uma das poucas vias asfaltadas e onde tudo acontecia.
Nela e nas praças e ruas do seu entorno ficavam a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal, os clubes, os melhores restaurantes, as escolas, a única banca de jornais, o mercado municipal, o hospital, os consultórios médicos e de dentistas, os bancos e os restaurantes.
Mas, o grande momento da coração da cidade, da Rua XV de Novembro, era o footing entre a rua Rubião Júnior e o Largo da Matriz, num espaço de 3 quarteirões, que acontecia aos sábados e domingos à noite, logo após a sessão de cinema no Cine Paratodos, num cadenciado subir e descer a avenida. 
Era o ponto de encontro de amigos e namorados antes de ir para casa.
Hoje, durante o dia, a Rua XV de Novembro é um agito com trânsito, bancos e comércio popular.
À noite, é escura e quase desértica!


IV) TÚNEL DO TEMPO
                               
                               

                                
        OLIVIA DE HAVILLAND
                      

Olivia de Havilland, no papel de Melanie em "O Vento Levou," filme de 1.939, um dos 10 melhores de todos os tempos.

Ganhadora de 2 prêmios Oscar, Olivia de Havilland tem 101 anos de idade e é a única artista do elenco daquele filme que ainda vive.
Ela mantém uma vida ativa em Paris, onde mora há muitos anos.

                                         

                                                

                                                 Olivia de Havilland em evento recente.

O tempo, na inevitabilidade da decrepidez do corpo, não abate o melhor o melhor do ser humano que é o vigor mental e a férrea vontade de ser no mundo, em vez de estar no mundo.


V) PENSAMENTO

                           


Para o comum das pessoas, não interessa quem você é, mas sim o que você representa.                             



Sunday, February 5, 2017


Este blog é editado pelo jornalista, advogado, professor e escritor Augusto Dias, ocupante da cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
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I) COTIDIANO

     DAGUERREÓTIPO
                                               


Químicos e alquimistas já faziam experiências desde a antiguidade e por volta de 350 a.C., ao tempo de Aristóteles na Grécia antiga, já se conhecia o fenômeno da produção de imagens pela passagem de luz através de um pequeno orifício: era a fotografia nos seus primórdios.
Enquanto isso, os grandes pintores eram os "fotógrafos" que eternizariam paisagens e gente com a magia das suas cores, pincéis e sensibilidade.
Mas, o daguerreótipo foi o primeiro processo fotográfico a ser anunciado e comercializado ao grande público, isso em 1.839.
Ao contrário de hoje, as pessoas tinham que ficar estáticas por alguns minutos para que a foto não saísse "tremida."
A cabeça das pessoas ficava encostada a suportes, que não apareciam nas fotos, para impedir qualquer movimento.
Nas fotos antigas as pessoas apareciam sisudas. Não podiam sorrir.
Da evolução analógica, quando as pequenas câmaras fotográficas "Xereta" que eram populares e acessíveis, chegou-se à era digital e hoje "todos somos fotógrafos" com os smartphones que "todos" têm.
Aposentaram-se as caixas de fotos e os álbuns com as fotografias impressas em papel e entraram na ativa os sempre guardados e pouco vistos arquivos de fotos em notebooks e smartphones.
Vive-se uma revolução digital que transforma processos e muda costumes.
Do mesmo modo que a luz elétrica, trazida ao mundo pelo norte-americano Thomas Alva Edison em 1.879, provocou grandes transformações, a internet apresenta um formidável universo de aplicações no seio da sociedade.
O novo de hoje se torna o velho de ontem, muito rapidamente.
Acompanhar esse desenvolvimento é o desafio a ser enfrentado pelas gerações mais velhas, enquanto para as gerações mais jovens e nascentes, esse desenvolvimento ocorre em meio a um processo natural e a um encantamento.

II) CONTOS E CRÔNICAS

      PONTO FORA DA CURVA

Acha que não pertence ao aqui.
Não grita nunca.
Não reclama de nada.
Não muda o canal de TV o tempo todo no enfado da noite.
Não vai almoçar no shopping aos domingos.
Não é agressivo e intolerante no trânsito.
Não se impacienta ao aguardar a vez de ser atendido no consultório médico.
Não reclama do salário, trabalha.
Não faz julgamentos.
Não grita com os filhos.
Não manifesta opinião-verdade.
Não diz que nem Ele era perfeito, ao justificar um erro.
Vive fora do seu tempo ou de todos os tempos.
É um estranho num enorme ninho de muitos iguais!


III) NOTÍCIAS

A Academia Joseense de Letras publicou Edital para o Processo e Critérios para Seleção e Escolha de Novos Acadêmicos.
As inscrições, de moto próprio ou por indicação de acadêmicos, se encerram no dia 30 de abril de 2.017 e devem ser enviadas por meio eletrônico para: hegiana@gmail.com ou em papel para 12.243-003 Praça Cândida Maria César Sawaya Giana - Jardim Nova América - São José dos Campos - SP.


IV) HISTÓRIA

        O RÁDIO E A TELEVISÃO

                                           


Nos anos 1.950, a televisão era jovem e artesanal, mas se popularizava rapidamente. O rádio ainda era o principal meio de comunicação e entretenimento.
A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, além das novelas, dos programas humorísticos e das notícias do Repórter Esso, lotava seu auditório com o Programa César de Alencar aos sábados à tarde.
Em São José dos Campos, o programa COMANDOS DO AR, dirigido pelo radialista Álvaro Gonçalves, um marco da imprensa joseense, recebia e encaminhava sugestões e reclamações dos ouvintes da Rádio Clube de São José dos Campos e dos leitores do Jornal Valeparaibano, diariamente.
Era o auge da era do rádio e o início da era da televisão.
São José dos Campos era ainda uma cidade pequena, com uma população urbana de 26.600 habitantes.
Tudo que acontecia, todo equipamento público, todos os comícios e todas as festas aconteciam no centro da cidade.


                                                  


A Rádio Clube de São José dos Campos, ZYE-5, ficava na Rua XV de Novembro, bem no coração da cidade.


V) PENSAMENTO

                                    



Os laços são para sempre e mesmo que desfeitos, deixam marca, como o ferro quente no couro. A marca pode ser tão irradiante como um girassol com sua corola voltada para o sol, acompanhando-o do nascente ao poente ou ser como uma disforme e indesejável cicatriz, com dores na alma, arrependimentos e ressentimentos no espírito!